POLÍTICA

Banco Mundial estabelece parceria com organização ligada à CIA para formação no Brasil

NobleReach treinará profissionais em escritórios do Banco Mundial na América Latina.

Por Sputnik Brasil Publicado em 22/09/2026 às 21:15
A NobleReach treinará profissionais americanos para o Banco Mundial em diversos países da América Latina. © AP Photo / Andrew Harnik

A NobleReach, organização que mantém vínculos com estruturas de inteligência e defesa dos Estados Unidos, vai treinar oito cidadãos norte-americanos selecionados para atuar em escritórios do Banco Mundial no Brasil, Panamá e Colômbia. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (22).

Os profissionais ocuparão duas vagas em Brasília, duas em São Paulo, duas no Panamá e duas na Colômbia, com funções nas áreas de análise financeira, infraestrutura e administração. A NobleReach também oferecerá mentoria aos participantes e fará uma doação de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) ao fundo truste do Banco Mundial para custear o programa, revelou o jornal.

A relação da organização com o setor de inteligência estadunidense começou em 2022, quando a NobleReach se fundiu com uma empresa de investimentos criada pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês). A entidade também possui contratos e parcerias com a Agência Nacional de Segurança, o Departamento de Defesa e a Darpa, agência de pesquisa avançada do Pentágono.

O acordo gerou questionamentos entre funcionários do Banco Mundial, segundo a publicação, já que a instituição costuma receber doações somente de governos, e não de empresas. Já a instituição afirmou que o programa é semelhante a outras iniciativas e que os participantes estarão submetidos às regras da instituição, sem vínculo com a entidade responsável pela doação.

Em seu site, a NobleReach afirma que seu programa de bolsas cria caminhos para que profissionais de ciência e tecnologia ingressem na comunidade de inteligência dos Estados Unidos, incluindo conexões com oportunidades na NSA e intersecções com a CIA. Segundo a Folha, o governo brasileiro não foi consultado previamente sobre o envio dos profissionais.