TECNOLOGIA E SEGURANÇA

UE intensifica regulação após alerta de segurança envolvendo tecnologia chinesa

Revelação de vulnerabilidades em ônibus elétricos chineses na Noruega acelera medidas regulatórias e acirra disputa entre União Europeia e China.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/05/2026 às 11:09
Ônibus elétricos chineses em teste na Noruega impulsionam nova onda regulatória na União Europeia. © AP Photo / John Thys

A descoberta de que ônibus chineses testados na Noruega puderam ser acessados ​​e desativados remotamente desencadeou uma série de alertas em toda a Europa. O episódio revelou vulnerabilidades tecnológicas, provocou novas restrições por parte da União Europeia (UE) e aumentou a pressão sobre empresas que atuam em meio a regras conflitantes dos dois lados.

O experimento, conduzido pela Ruter em uma mina desativada na Noruega ao testar ônibus elétricos do fabricante chinês Yutong, mostrou que os veículos poderiam ser desativados remotamente e acessados ​​pelo fornecedor mesmo em ambiente isolado. A constatação acendeu um alerta nos governos europeus sobre possíveis riscos tecnológicos.

Segundo o South China Morning Post, os resultados do teste contribuíram para um ambiente regulatório mais específico na UE, aprofundando a chamada "rivalidade sistêmica" com a China. Iniciou-se, assim, um ciclo de georregulação acelerada, no qual cada lado estabelece normas para se proteger das regras do outro.

As empresas europeias afirmam estar sendo arrastadas para disputas políticas que vão além de suas atividades, enquanto os governos identificam riscos crescentes nas cadeias de suprimentos. Para Bruxelas, o acesso remoto permitido aos fabricantes chineses adquire nova relevância diante das leis chinesas que obrigam as empresas a colaborar com o Estado.

Como resposta, a UE suspendeu o financiamento de investidores fabricados na China, temendo que equipamentos utilizados em infraestrutura crítica possam ser alvo de ataques cibernéticos. Essas preocupações também impulsionaram a nova política industrial europeia, que busca atrair fabricantes chineses para produzir sob padrões locais.

Pequim reagiu com confiança, prometendo retaliar empresas europeias. Especialistas ouvidos pela mídia asiática alertam que o uso crescente de tecnologia chinesa permite à China mapear sistemas energéticos europeus, aumentando o potencial de pressão geopolítica.

O impacto do experimento norueguês levou governos, como o da Alemanha, a defender a fabricação de componentes-chave na Europa para evitar a dependência da legislação chinesa. O caso tornou-se símbolo de uma nova disputa regulatória internacional.

A disputa já chegou aos tribunais: a Nuctech chinesa processou a Comissão Europeia, alegando que a UE exige documentos proibidos pela lei chinesa. Paralelamente, as empresas europeias na China têm novas leis que podem criminalizar auditorias efetuadas por Bruxelas.

Os regulamentos chineses contra a “jurisdição extraterritorial indevida” também podem impedir que as empresas estrangeiras cumpram as normas europeias, criando um impasse jurídico. Think tanks alertam que as companhias podem ficar presas entre critérios conflitantes de cada lado.

Há ainda preocupações de que o controle chinês sobre terras raras esteja sendo utilizado para extrair informações sensíveis de empresas estrangeiras. Os relatórios europeus apontam que a China é capaz de mapear dependências críticas e, se necessário, exercer pressão de forma direcionada.

Enquanto isso, a UE avança com legislações para reduzir a dependência da China, como a Lei de Aceleradores Industriais (IAA, na sigla em inglês) e a atualização da Lei de Segurança Cibernética da União Europeia (CSA2), ambas já alvo de críticas de Pequim. Para analistas consultados, os dois lados caminharam para regulamentações cada vez mais rígidas, deixando empresas em um cenário de regras conflitantes.