Urnas fecham na Hungria com participação recorde; projeções indicam derrota de Orbán
Votação histórica pode encerrar hegemonia de Viktor Orbán após 16 anos no poder, segundo estimativas preliminares.
As urnas foram fechadas na Hungria às 14h (horário de Brasília) neste domingo, 12, em uma eleição considerada a mais importante da Europa em 2024. O pleito é visto como um teste decisivo para o primeiro-ministro Viktor Orbán, que governa o país há 16 anos. Segundo o Escritório Nacional de Eleições, a participação dos eleitores atingiu um patamar recorde: mais de 77% dos húngaros votaram até 13h30, o maior índice desde o fim do regime comunista.
Projeções preliminares apontam para uma possível mudança significativa no cenário político. De acordo com pesquisa do instituto Medián, divulgada pela Euro News, o partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, teria conquistado 55,5% dos votos, contra 37,9% do Fidesz, de Orbán. O partido de extrema-direita Mi Hazánk aparece com 3,9%.
Em termos de representação parlamentar, as estimativas sugerem que o Tisza pode alcançar entre 131 e 139 assentos no Parlamento, aproximando-se de uma maioria de dois terços. Já o Fidesz ficaria com 59 a 67 cadeiras, em um total de 199.
Os dados divulgados não são de boca de urna tradicional, mas sim de uma estimativa baseada em pesquisa de grande amostra realizada nos últimos três dias. Embora o país não divulgue pesquisas de boca de urna, levantamentos feitos antes do pleito e publicados após o encerramento da votação já demonstraram bom grau de acerto em eleições anteriores.
Viktor Orbán, de 62 anos, é um dos líderes mais longevos da União Europeia e aliado do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Ele busca um novo mandato diante do crescimento da oposição liderada por Magyar. Ambos votaram em Budapeste praticamente no mesmo horário. “Estou aqui para vencer”, afirmou Orbán, que classificou a campanha como “um grande momento nacional”.
A eleição ocorre em meio a críticas de Bruxelas ao governo húngaro, considerado um dos principais antagonistas do bloco europeu. A trajetória política de Orbán passou do liberalismo antissoviético a um nacionalismo alinhado à Rússia e admirado por setores da direita global.
Com informações da Associated Press