EUA aceitam desbloquear ativos iranianos em bancos estrangeiros, diz fonte
Medida sinaliza avanço em negociações mediadas pelo Paquistão e pode garantir passagem segura no estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos concordaram em desbloquear ativos iranianos mantidos no Catar e em outros bancos estrangeiros, afirmou uma fonte iraniana de alto escalão à agência Reuters. Segundo a fonte, a iniciativa demonstra a seriedade das intenções norte-americanas para as negociações previstas no Paquistão.
A liberação dos ativos está "diretamente relacionada à garantia de passagem segura pelo estreito de Ormuz", explicou a mesma autoridade iraniana.
O desbloqueio dos recursos financeiros era uma das duas exigências do Irã para iniciar o diálogo. A outra condição imposta foi a suspensão dos ataques israelenses ao Líbano.
Até o momento, os Estados Unidos não se pronunciaram publicamente sobre o desbloqueio dos ativos, conforme apurou a reportagem.
Nesta semana, o Irã apresentou aos EUA uma proposta de cessar-fogo em dez pontos, que inclui garantias de não agressão, controle sobre o estreito de Ormuz e reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio, além da suspensão de sanções, compensação financeira e retirada de tropas americanas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a proposta iraniana como uma "base de trabalho" para negociações e anunciou uma pausa de duas semanas nas hostilidades após conversas com autoridades paquistanesas.
Israel demonstrou apoio à decisão dos EUA de suspender os ataques, mas condicionou o suporte à reabertura imediata do estreito de Ormuz e esclareceu que a trégua não se aplicaria ao front libanês.
Nesse cenário, o Paquistão, que atua como mediador do cessar-fogo, convidou delegações do Irã e dos EUA para negociações em Islamabad. Os EUA serão representados pelo vice-presidente J. D. Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Trump.
A equipe iraniana contará com o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, o chanceler Abbas Araghchi, o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, e outros legisladores.