Exército sob Investigação: Militares denunciam abusos e agressões em quartel de Maceió
Relatos envolvem crimes sexuais, violência física e filmagens ilícitas dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado; MPF foi acionado nesta sexta-feira
O Ministério Público Federal (MPF) recebeu, nesta sexta-feira (10), graves denúncias de abusos ocorridos dentro das dependências do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BIMtz), localizado no bairro do Farol. Os relatos, formalizados pela defesa das vítimas, detalham episódios de violência sexual e agressões físicas que teriam ocorrido no segundo semestre do ano passado entre colegas de farda.
Relatos de Abuso e Tortura
De acordo com a representação criminal, os casos revelam um cenário de extrema vulnerabilidade e degradação no ambiente militar.
Abuso no Alojamento: Um dos soldados denunciantes afirma ter sofrido abuso sexual enquanto dormia. Segundo a acusação, o ato teria sido filmado por outros militares através de um aparelho celular.
Violência Física: Em um segundo relato, outro militar descreve ter sido imobilizado por um grupo e submetido a espancamentos, além de ser forçado a passar por situações humilhantes e degradantes dentro do quartel.
Afastamento e Providências Jurídicas
O advogado das vítimas, Alberto Jorge, confirmou que ambos os militares foram afastados de suas funções após os episódios virem à tona. A escolha pelo Ministério Público Federal para a condução do caso fundamenta-se na competência do órgão para fiscalizar e investigar possíveis irregularidades em instituições da esfera federal.
"Protocolamos a representação dada a gravidade extrema das acusações. Esperamos rigor absoluto na apuração dos fatos e na responsabilização dos envolvidos", destacou o advogado.
Silêncio Institucional
Até o fechamento desta reportagem, o comando do Exército Brasileiro não havia emitido nenhum posicionamento oficial sobre as graves acusações ou sobre o andamento de possíveis Inquéritos Policiais Militares (IPM) internos.
O caso agora segue sob análise das autoridades federais, que devem decidir sobre a abertura de inquérito para investigar os crimes de violação sexual, lesão corporal e possíveis crimes previstos no Código Penal Militar.