TENSÃO DIPLOMÁTICA

Autoridades dos EUA e Irã se reúnem no Paquistão em meio a ceticismo

Encontro busca avanços em meio a exigências do Irã e clima de desconfiança; negociações sobre Israel e Líbano também avançam

Publicado em 11/04/2026 às 08:21
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance AP/Kevin Wolf

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, desembarcou em Islamabad, capital do Paquistão, para liderar negociações com autoridades iranianas sobre o conflito em curso. A comitiva norte-americana inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner. O grupo foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, pelo chefe do Exército, Field Marshal Asim Munir, e pelo ministro do Interior, Mohsin Naqvi.

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores paquistanês destacou o reconhecimento de Dar ao compromisso dos EUA com a paz e estabilidade duradouras, expressando expectativa de que as partes "se engajem construtivamente". A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, chegou à cidade na noite de sexta-feira, 10.

Antes de viajar, Vance alertou o Irã para não subestimar os EUA. Poucas horas mais tarde, Qalibaf condicionou o início das discussões a um cessar-fogo israelense no Líbano e à liberação de ativos iranianos bloqueados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país entra nas conversas com profunda descrença e advertiu que haverá reação caso o Irã seja atacado.

Fontes regionais, sob anonimato, informaram que representantes do Egito, Arábia Saudita, China e Catar também estão em Islamabad para facilitar, de forma indireta, o diálogo entre as partes.

A TV estatal iraniana relatou que a equipe de Qalibaf se reuniu com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que classificou o momento do conflito como "vai ou racha" e de extrema tensão.

Medidas de segurança rigorosas foram impostas em Islamabad: ruas desertas, bloqueios viários e orientações para que os moradores permaneçam em casa, configurando um cenário semelhante ao de toque de recolher.

Negociações entre Israel e Líbano

As tratativas entre Israel e Líbano estão previstas para começar na terça-feira, 14, em Washington, conforme informou o gabinete do presidente libanês Joseph Aoun.

Israel pressiona para que o governo libanês assuma a responsabilidade pelo desarmamento do Hezbollah, conforme estipulado no cessar-fogo de novembro de 2024. No entanto, persiste a dúvida se o exército libanês conseguirá desarmar o grupo militante, que resiste a esses esforços há décadas.

A exigência de Israel de que o cessar-fogo com o Irã não inclua uma pausa no confronto com o Hezbollah ameaça inviabilizar o acordo. No dia do anúncio da trégua, Israel realizou ataques aéreos em Beirute, resultando em mais de 300 mortes, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.