ECONOMIA INTERNACIONAL

Fitch revisa perspectiva da Turquia de positiva para estável após queda nas reservas

Agência mantém nota 'BB-', mas alerta para pressões externas e déficit energético turco

Publicado em 10/04/2026 às 21:13
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A agência Fitch Ratings revisou a perspectiva do rating da Turquia, alterando-a de positiva para estável, diante da acentuada redução das reservas internacionais do país desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã. O Banco Central turco realizou intervenções cambiais estimadas em mais de US$ 50 bilhões para defender a lira.

A nota de crédito de longo prazo em moeda estrangeira foi mantida em "BB-". Segundo a Fitch, a continuidade do conflito pode aumentar ainda mais a pressão sobre as finanças externas da Turquia e sobre a inflação, especialmente devido ao elevado déficit comercial de energia.

Apesar dos desafios, a agência destaca que os ratings são sustentados pelo porte e diversidade da economia turca, pelo baixo endividamento do governo, pelo histórico de acesso a financiamento externo mesmo em períodos de estresse e por um setor bancário resiliente.

Com a recente deterioração, o país passou a contar com um colchão externo mais restrito. As reservas internacionais brutas caíram para US$ 162 bilhões no início de abril, ante US$ 210 bilhões no fim de fevereiro, devido a saídas de não residentes, menor preço do ouro e maior demanda por moeda estrangeira por parte das empresas.

De acordo com a Fitch, "projetamos que as reservas brutas em FX cairão para 3,8 meses de pagamentos externos correntes no fim de 2027, ante 5,0 meses no fim de 2025, abaixo da mediana 'BB' de 4,8 meses".

As reservas líquidas cambiais, excluindo swaps, caíram ainda mais, para menos de US$ 19 bilhões, ante US$ 79 bilhões, embora ainda estejam acima do mínimo de 2024, que foi de menos US$ 66 bilhões. Esse movimento reflete, em parte, a retomada recente dos swaps cambiais do Banco Central com bancos domésticos.

A Fitch projeta que o déficit em conta corrente da Turquia aumentará 0,6 ponto percentual, atingindo 2,5% do PIB em 2026, impulsionado por preços mais altos de energia e pelo impacto defasado da apreciação da taxa de câmbio real. Para 2027, a projeção é de 2,9%, devido à demanda doméstica mais forte.

No cenário base da Fitch, espera-se uma normalização gradual dos fluxos de petróleo entre maio e junho.

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast