Itália registra primeiro caso humano de gripe aviária H9N2 na Europa
OMS afirma que risco para a população geral é baixo, mas reforça necessidade de vigilância global após caso importado do Senegal.
O governo da Itália notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 21 de março após identificar um caso humano importado de influenza aviária A (H9), posteriormente confirmado como A (H9N2) por sequenciamento genético.
De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), de 2005, infecções humanas causadas por novos subtipos do vírus influenza A são consideradas eventos com potencial de alto impacto para a saúde pública e, por isso, devem ser comunicadas à OMS.
Este é o primeiro caso humano importado de H9N2 notificado na Europa. Apesar do registro, a OMS avalia que o risco atual para a população em geral é baixo, mas mantém o monitoramento do vírus e da situação em escala global. Até o momento, não há recomendação de restrições de viagem ou comércio.
"A maioria dos casos humanos relatados de infecção pelo H9N2 está associada à exposição a aves infectadas ou ambientes contaminados, sendo que a maioria apresenta doença leve", informou a OMS em nota oficial.
"As evidências epidemiológicas e virológicas atuais indicam que nenhum dos vírus influenza A caracterizados até o momento adquiriu capacidade de transmissão sustentada entre humanos. Portanto, a probabilidade de disseminação sustentada de pessoa para pessoa é baixa neste momento", acrescentou a entidade.
O caso foi registrado em um homem adulto que permaneceu no Senegal por mais de seis meses e viajou para a Itália em meados de março. Os primeiros achados genéticos sugerem que a infecção foi adquirida de uma fonte aviária no Senegal, país que já havia registrado caso semelhante em 2020.
"Ao chegar à Itália, ele procurou atendimento médico com febre e tosse persistentes", detalhou a OMS. Em 16 de março, exames detectaram a bactéria Mycobacterium tuberculosis (causadora da tuberculose) e o vírus influenza aviária A.
O paciente foi isolado em um quarto com pressão negativa, adotando-se precauções para transmissão aérea. O tratamento incluiu medicamentos antituberculose e o antiviral oseltamivir.
Até esta quinta-feira, 9, o estado de saúde do paciente era estável e apresentava melhora.
O vírus
Segundo a OMS, o vírus influenza A (H9N2) circula principalmente em animais, mas pode infectar pessoas. A transmissão humana ocorre por contato direto com animais infectados ou com ambientes contaminados.
Dependendo do hospedeiro original, os vírus influenza A podem ser classificados como influenza aviária, suína ou de outros tipos animais.
A infecção humana por influenza aviária pode causar desde quadros leves do trato respiratório superior até doenças graves e potencialmente fatais. Também já foram relatados casos de conjuntivite, sintomas gastrointestinais, encefalite e encefalopatia.
O diagnóstico da infecção humana por influenza requer testes laboratoriais. A OMS atualiza periodicamente protocolos técnicos para detecção de influenza zoonótica por métodos moleculares.
Recomendações
A OMS ressalta que o caso não altera as recomendações atuais de saúde pública e vigilância da influenza.
O público deve evitar contato com ambientes de alto risco, como mercados de animais vivos, fazendas ou superfícies potencialmente contaminadas por fezes de aves.
Pessoas que lidam com aves vivas ou mortas devem utilizar proteção respiratória, inclusive em situações de abate, seja em contexto ocupacional ou doméstico.
A boa higiene das mãos, com lavagem frequente ou uso de álcool em gel, também é recomendada. Não há indicações de medidas adicionais específicas para viajantes.