IMPACTO INTERNACIONAL

Guerra no Oriente Médio já pressiona preços no Brasil em março, aponta IBGE

Conflito afeta combustíveis e alimentos, elevando inflação e trazendo preocupação para os próximos meses.

Publicado em 10/04/2026 às 16:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A guerra travada entre Estados Unidos e Israel no Oriente Médio já provocou impacto nos preços de alguns itens no Brasil em março, segundo Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA registrou alta de 0,88% no mês.

De acordo com Gonçalves, alguns subitens, principalmente os combustíveis, já refletem as incertezas do cenário internacional. Ele destacou que houve reajustes nos preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, impulsionados pela alta do petróleo no mercado externo, e que o fechamento do Estreito de Ormuz já começava a afetar o abastecimento global. Como resultado, os combustíveis custaram mais caros para o consumidor brasileiro.

A gasolina subiu 4,59% em março, exercendo a maior pressão sobre a inflação oficial, com contribuição de 0,23 ponto percentual . O óleo diesel teve alta de 13,90% , impactando em 0,03 ponto percentual no mês. O etanol aumentou 0,93% , enquanto o gás veicular caiu 0,98% . Em média, os combustíveis ficaram 4,47% mais caros.

A elevação da gasolina em março foi a mais intensa desde julho de 2023, quando subiu 4,75%. Já o diesel teve o maior aumento desde novembro de 2002, quando registrou alta de 14,63%.

“Sem a gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Sem os combustíveis, o IPCA teria sido de 0,64%”, explicou Gonçalves.

O pesquisador ressaltou que não é possível medir o eventual efeito de subvenção do governo ao diesel, pois o IBGE capta o preço efetivo pago pelo consumidor.

Segundo Gonçalves, a continuidade do conflito no Oriente Médio pode impactar novamente os preços em abril, caso haja efeito sobre a cadeia de combustíveis. “Se houver menor oferta de combustível internamente, é possível que o preço suba”, afirmou.

Os grupos Transportes e Alimentação e Bebidas responderam juntos por 76% do IPCA. Os alimentos para consumo em casa subiram 1,94% em março, a maior alta desde abril de 2022, quando avançaram 2,59%. O gerente do IBGE explicou que o aumento deve tanto à redução da oferta de alguns produtos quanto ao encarecimento do frete, consequência dos combustíveis mais caros.

Para o IPCA de abril, além dos possíveis efeitos da guerra, a inflação deve incorporar reajustes de energia elétrica no Rio de Janeiro, de água e esgoto em Goiânia, além do aumento autorizado nos medicamentos e das altas expectativas no cigarro, que sofreram elevação de tributos para compensar a redução no querosene de aviação.

“O cigarro tem que ver como vai ficar, tem muito peso no IPCA, 0,59% do peso”, acrescentou o pesquisador.