TENSÃO DIPLOMÁTICA

Golfo reage a veto na ONU e teme perder influência em negociações entre EUA e Irã

Monarquias do Golfo expressam preocupação com exclusão de debates sobre segurança regional após veto de China e Rússia no Conselho de Segurança da ONU.

Publicado em 10/04/2026 às 10:47
Monarquias do Golfo expressam preocupação após veto na ONU e possível perda de influência em negociações EUA-Irã. © AP Photo / Hasan Jamali

Os países do Golfo manifestaram preocupação sobre a China e a Rússia vetarem, no Conselho de Segurança da ONU, uma proposta que buscava implementar medidas “defensivas” para garantir a abertura do Estreito de Ormuz. Segundo analistas, as monarquias da região têm pouca capacidade de influenciar os rumores das negociações entre os Estados Unidos e o Irã.

De acordo com o South China Morning Post, informações partilhadas por Washington e Islamabad intensificaram a apreensão dos seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Eles temem que um eventual acordo de paz comprometa sua segurança a longo prazo e prejudique os planos de diversificação econômica, especialmente diante da transição global para energias renováveis.

As questões, antes tratadas de forma discreta, foram mais explícitas desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) e o Kuwait têm sido os mais enfáticos ao expressar frustração por se sentirem marginalizados. Após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, a diplomacia dos Emirados declarou publicamente que só aceitará uma abordagem "abrangente" que envolve não apenas o programa nuclear iraniano, mas também seus mísseis balísticos e o apoio a grupos armados.

Anwar Gargash, conselheiro da EAU, reforçou o posicionamento ao afirmar que a "era das cortesias passadas" e que a franqueza se faz necessária. A declaração coincidiu com o primeiro contato telefônico entre os chanceleres da Arábia Saudita e do Irã desde o início do conflito, após conversas separadas com o ministro paquistanês Ishaq Dar, segunda apuração do veículo.

Arábia, Catar e Omã apoiam os esforços do Paquistão para encerrar o conflito, enquanto Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein demonstram maior ceticismo.

Apesar das divergências, analistas consultados pela mídia asiática apontam três preocupações centrais compartilhadas por todos: a permanência de um Irã enfraquecido, porém ainda ameaçador; o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz; e a manutenção das capacidades militares e o apoio aos aliados regionais.

O pesquisador Ahmed Aboudouh alerta para o risco de que essas preocupações se concretizem, já que os EUA estariam priorizando seus próprios interesses e os do Irã, deixando de lado as demandas do Golfo. Isso colocaria os países do CCG em posição delicada, com pouca margem para influenciar o acordo e as vítimas a possíveis retaliações iranianas caso as negociações fracassassem.

A historiadora Rowena Abdul Razak destacou que, na prática, os Estados do Golfo exercem pouca influência sobre o confronto entre EUA e Irã. Mesmo sediando bases norte-americanas, não controlam seu uso e dificilmente abririam mão delas, pois são fundamentais para sua estratégia defensiva. Assim, resta-lhes buscar preservar as relações com Teerã e manter a imagem de estabilidade regional.

Por Sputnik Brasil