PT e PL intensificam disputa por palanques estaduais a seis meses da eleição presidencial
Partidos articulam alianças regionais para fortalecer candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, tentando evitar conflitos internos e ampliar presença nacional.
A seis meses das eleições presidenciais, PT e PL aceleraram a disputa por alianças estaduais, buscando montar palanques competitivos e evitar conflitos internos. Lula e Flávio Bolsonaro atuam simultaneamente para conter candidaturas indesejadas, acomodar aliados e ampliar a presença regional.
Segundo a Folha de S.Paulo, o PT avançou na costura de acordos e deve lançar candidatos próprios ao governo em apenas dez estados — menos que em 2022 e 2018. Em outras 14 unidades, apoiará nomes de partidos como PSB, PDT, MDB, PSD, PP e União Brasil, mesmo quando essas siglas não deverão integrar formalmente o palanque presidencial. Algumas decisões, porém, geraram atritos, como no Rio Grande do Sul, onde a direção nacional impôs apoio à pedetista Juliana Brizola, contrariando a preferência local de Edegar Pretto.
O PDT busca consolidar espaço na aliança lulista em três estados: Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Em Minas, o partido defende Alexandre Kalil, enquanto Lula tenta convencer Rodrigo Pacheco (PSB) a disputar o governo. O PSD se torna peça-chave, com o PT apoiou candidatos da sigla no Rio de Janeiro, Mato Grosso, Amazonas e possivelmente Sergipe.
No Nordeste, o PT trabalha para garantir palanques duplos em estados estratégicos. Na Paraíba, além do apoio formal a Lucas Ribeiro (PP), tenta atrair Cícero Lucena (MDB). Em Pernambuco, mesmo aliado oficialmente a João Campos (PSB), o partido busca também o apoio da governadora Raquel Lyra (PSD). Ainda há indefinições em Goiás, Tocantins e Maranhão, onde o PT enfrentou divergências com o governador Carlos Brandão.
Já o PL enfrentou um cenário mais fragmentado na tentativa de estruturar palanques para Flávio Bolsonaro. A sigla pretende lançar, segundo a Folha, ao menos um candidato ao governo ou Senado em todos os estados e no Distrito Federal, e já conta com pré-candidatos em 12 unidades, incluindo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Para fortalecer a presença no Nordeste, filiou-se o ex-prefeito Álvaro Dias (RN) e o senador Efraim Filho (PB).
As alianças do PL avançaram em seis estados e no DF, com negociações envolvendo União Brasil e PP. Na Bahia, o partido é uniu a ACM Neto, mas a chapa está dividida na eleição presidencial: Neto apoia Ronaldo Caiado, enquanto João Roma e Angelo Coronel devem subir no palanque de Flávio Bolsonaro. No Ceará, negociações com Ciro Gomes foram suspensas após resistência interna, especialmente de Michelle Bolsonaro, que defende Eduardo Girão.
Minas Gerais é outro ponto de tensão para o PL, dividido entre apoiar Mateus Simões (PSD), Cleitinho (Republicanos) ou lançar Flávio Roscoe, recém-filiado. Há incertezas também em Pernambuco, Maranhão e Espírito Santo. No Norte, a tendência é de palanques múltiplos, como no Acre, onde três pré-candidatos disputaram o eleitorado bolsonarista.
Apesar da polarização nacional, PT e PL deverão enfrentar diretamente em alguns estados. Até agora, o debate entre candidatos próprios das duas siglas está previsto apenas no Rio Grande do Norte, Rondônia e Piauí, segundo a mídia.
Por Sputnik Brasil