EDUCAÇÃO E DIREITOS

Funcionários da USP aprovam greve após criação de bônus para professores

Decisão foi tomada em assembleia e servidores reivindicam isonomia após aprovação de gratificação exclusiva para docentes

Publicado em 09/04/2026 às 17:45
Arquivo/USP

Os servidores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram entrar em greve a partir da próxima terça-feira, 14. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada de forma híbrida, no campus Butantã e online, na tarde desta quinta-feira, 9. Procurada pelo Estadão, a reitoria da universidade não se manifestou até o fechamento desta matéria.

A principal motivação para a greve é a aprovação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace) para professores, medida aprovada no fim de março.

A iniciativa, proposta pelo reitor Aluisio Segurado, prevê um valor adicional de até R$ 4.500 nos salários dos docentes que apresentarem novos projetos, com o objetivo de "reter talentos", especialmente entre as contratações mais recentes.

A Gace será paga mensalmente, terá duração de dois anos e só poderá ser solicitada por professores que atuam em regime de dedicação exclusiva na USP, o que corresponde a mais de 80% do corpo docente.

Atualmente, o salário inicial de um professor doutor em tempo integral na universidade é de R$ 16,3 mil — o bônus representaria um acréscimo de 27%. A previsão de gastos é de R$ 238,44 milhões por ano, caso cerca de 5 mil docentes apresentem projetos.

Uma paralisação já havia ocorrido em 31 de março, quando a proposta foi votada pelo Conselho Universitário.

Para os funcionários, a gratificação exclusiva aos professores fere o princípio de isonomia. Eles defendem que o valor total destinado aos docentes seja dividido entre todos os funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1.600.

"O professor aqui não trabalha sozinho, os funcionários atuam nos laboratórios, nas aulas. Eles são essenciais para o desenvolvimento das pesquisas", afirma Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.

A categoria também reivindica a recomposição integral das perdas salariais acumuladas pela inflação desde 2012, estimadas em 14,5%.

Segundo dados divulgados pela USP em 2024, a universidade conta com mais de 5.300 professores e aproximadamente 12.600 funcionários técnico-administrativos.