ECONOMIA GLOBAL

FMI afirma que Brasil e Índia não precisam de empréstimos, mas ressalta importância da vigilância

Diretora-geral do Fundo defende aumento das cotas e destaca papel do organismo na estabilidade regional

Publicado em 09/04/2026 às 16:34
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) , Kristalina Georgieva, defendeu a aprovação da 16ª Revisão Geral de Cotas (GRQ, na sigla em inglês) do organismo. A medida prevê um aumento de 50% no valor das cotas de todos os países membros, mas sem redistribuição do poder de voto, e foi encaminhada para apreciação do Congresso dos Estados Unidos durante a gestão do ex-presidente Donald Trump.

"Precisamos desse aumento. Por que precisamos? Porque simplesmente não sabemos o que o futuro pode trazer", afirmou Georgieva, durante evento que marca a abertura das reuniões de Primavera do Fundo, que acontecerão na próxima semana, em Washington (EUA).

Ao exigir a aprovação da 16ª rodada, Georgieva exige o Brasil. Segundo ela, mesmo que grandes economias emergentes não necessitam de financiamento do Fundo, ainda precisam da vigilância do organismo e do apoio a países vizinhos em situação de necessidade.

"Grandes economias como o Brasil e a Índia não precisam de empréstimos do Fundo, mas também precisam da vigilância do Fundo... precisam de nós para estabilizar suas ambientes", destacou a diretora-geral.

De acordo com Georgieva, a 16ª revisão das cotas não trata apenas de recursos financeiros, mas também de suporte institucional. “É o símbolo do Fundo sendo apoiado por todos os seus membros”, ressaltou.

O Brasil já manifestou apoio à aprovação da 16ª revisão e também ao avanço para a etapa seguinte.

Durante as reuniões anuais do FMI, em outubro do ano passado, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou a necessidade de o Fundo alcançar "progressos concretos" na 17ª Revisão Geral de Cotas. Apenas após a votação da 16ª revisão será possível dar solução à próxima etapa.

O Brasil tem defendido a redistribuição do poder de voto entre os membros do FMI. No entanto, o tema encontra resistência, já que países com maior poder, como o Japão, que detém uma fatia ligeiramente superior à da China, não querem abrir espaço para outras nações.