ARQUEOLOGIA

Dente de foca usado como pingente revela redes comerciais na Europa há 15 mil anos

Descoberta em caverna inglesa indica trocas culturais e comerciais a longas distâncias durante a Idade do Gelo

Publicado em 09/04/2026 às 12:09
Pingente de dente de foca de 15 mil anos sugere trocas comerciais distantes na Europa pré-histórica. © Foto / The Trustees of the Natural History Museum

Um dente de foca-cinzenta encontrado em Kents Cavern, na Inglaterra, com mais de 15 mil anos, revela que já existiam redes comerciais e culturais na Europa durante a Idade do Gelo, segundo o portal Arkeonews.

O dente foi descoberto em 1867 pelo arqueólogo William Pengelly, mas inicialmente foi identificado de forma equivocada como sendo de texugo ou lobo.

Análises modernas, utilizando técnicas de imagem como análise de superfície 3D e tomografia por microcomputador, confirmaram que o dente pertencia a uma foca-cinzenta macho, com cerca de 12 anos de idade ao morrer.

"Após a remoção, que provavelmente sofreu uma fratura da mandíbula do animal, o dente foi cuidadosamente tratado. Sua raiz foi desbastada e polida, e um furo foi feito com uma ferramenta de sílex para permitir que fosse usado como pingente", explica a publicação.
pingente de dente de foca-cinzenta de 15 mil anos encontrado na Inglaterra
pingente de dente de foca-cinzenta de 15 mil anos encontrado na Inglaterra

O estudo aponta que o pingente pertence ao tardio Paleolítico Superior, período da cultura Magdaleniana, considerado o auge da arte e do comportamento simbólico na Europa.

Um dos pontos mais intrigantes da descoberta é a localização do achado: durante a Idade do Gelo, a Caverna Kents ficou a mais de 100 quilômetros da costa mais próxima. Isso levanta a questão de como um dente de animal marinho foi parar tão longe do mar.

Pesquisadores acreditam que o pingente é uma evidência de que povos pré-históricos percorriam grandes distâncias e praticavam trocas comerciais e culturais.

“O estudo revela paralelos com achados arqueológicos na Espanha e na França, onde restos de mamíferos marinhos e joias foram encontrados longe das áreas costeiras”, destaca o material.

Essas informações sugerem que já existiam redes de intercâmbios que se estendiam por centenas de quilômetros durante a Idade do Gelo, concluem os autores.

Por Sputnik Brasil