JOGOS- ONLINE

Jogos on-line com aparência lúdica escondem riscos e exigem atenção de pais e educadores

Interação constante e conteúdo gerado por usuários ampliam a necessidade de mediação adulta em plataformas como o Roblox

Por Assessoria Publicado em 09/04/2026 às 09:41

A aparência lúdica e envolvente dos jogos on-line pode transmitir uma falsa sensação de controle e exige que o público infantojuvenil aprenda regras de uso, já que o ambiente digital também envolve riscos.

Para a psicopedagoga Paula Furtado, é fundamental que crianças e adolescentes desenvolvam noções de interação, limites e cuidados no meio on-line para evitar a exposição a perigos e garantir uma experiência segura antes de jogar. “No digital, assim como na vida presencial, liberdade sem preparo pode virar vulnerabilidade. A educação digital deve começar de forma proporcional à idade. Isso inclui aprender a respeitar o outro, não ofender, não expor colegas, não acreditar em tudo que aparece, reconhecer pedidos inadequados e entender que o que é errado fora da internet também é dentro dela”, esclarece.

Muito popular entre as crianças, o Roblox tem enfrentado uma série de polêmicas e, para a especialista, envolve dinâmicas que vão além de um simples passatempo. “Quando uma plataforma mistura jogo, convivência social, comunicação, circulação de dinheiro virtual, conteúdo criado por usuários e longos períodos de permanência por trás das telas, ela passa a exigir mediação adulta, pois a criança não tem maturidade para avaliar ameaças, intenções de terceiros, apelos comerciais ou exposição inadequada”, explica Paula.

O Roblox, pelo fato de envolver contato com desconhecidos, exige que famílias e escolas orientem crianças e adolescentes a não conversar de forma privada com estranhos, nem compartilhar dados pessoais ou levar trocas de mensagens para outras plataformas, além de avisar um adulto diante de qualquer situação suspeita, invasiva, sexualizada, ameaçadora ou insistente. 

Outro cuidado importante diz respeito ao engajamento gerado pelo jogo, que reúne elementos como brincadeira, desafio, personalização de avatar, sensação de pertencimento e estímulos constantes de novidade. “Para a criança, isso dialoga diretamente com necessidades importantes do desenvolvimento, como explorar, criar, competir, experimentar papéis e interagir com os pares. Além disso, a lógica de recompensas rápidas e de mundos quase infinitos amplia significativamente o poder de atração desse tipo de plataforma”, afirma a psicopedagoga.

Experiência digital mais segura

Com algumas restrições, o Roblox limitou o uso de chat de voz e de texto para menores de idade. A mudança provocou uma onda de protestos nas redes e acendeu um alerta entre os responsáveis. Paula explica que isso ocorreu porque, para muitas crianças e adolescentes, o chat não era apenas um detalhe, mas parte central da experiência social e que esse movimento de revolta mostra, inclusive, o quanto a vivência on-line já ocupa um lugar emocional significativo na vida de muitos jovens.

Para finalizar, a especialista acrescenta que o debate sobre o Roblox evidencia, na verdade, a urgência da educação digital infantil. O Brasil entra em um novo momento regulatório com a entrada do chamado Estatuto da Criança e do Adolescente no ambiente on-line (Eca Digital), o que reforça que proteger crianças na internet não é exagero, mas um dever coletivo.

“Como psicopedagoga, diria que o ponto central não é demonizar a tecnologia, mas evitar que ela ocupe, sem mediação, um espaço para o qual a criança ainda não tem maturidade emocional. Criança precisa brincar, sim — mas, acima de tudo, precisa de um adulto presente”, enfatiza Paula.