Instrumentos financeiros do BRICS desafiam hegemonia do dólar e do SWIFT
Bloco fortalece uso de moedas locais e desenvolve alternativas digitais para liquidações internacionais
O avanço do BRICS na desdolarização se intensifica à medida que Rússia e China realizam 99,1% de seu comércio bilateral em transferências e yuans, conforme destaca o portal CPG Click Petróleo e Gás.
Segundo o portal, o Brasil movimenta cerca de US$ 100 bilhões (R$ 511,44 bilhões) por ano com a China utilizando moedas locais, enquanto o bloco desenvolve uma ferramenta digital baseada em blockchain para contornar o sistema SWIFT.
"O dólar ainda responde por 90% das transações cambiais globais, mas sua participação nas reservas internacionais caiu de 70% para 59% em duas décadas. O BRICS está no centro dessa mudança: Rússia e China já realizaram 99,1% de suas transações comerciais em negociações e yuans, sem passar pelo dólar americano", ressalta a publicação.
A matéria aponta que a Unidade BRICS, ferramenta digital baseada em blockchain, visa facilitar liquidações transfronteiriças sem o uso do SWIFT, reduzindo riscos de avaliações internacionais.
Embora tenha negado a criação de uma moeda única, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a ampliação do uso de moedas nacionais entre os membros do bloco, priorizando práticas comerciais concretas.
Nesse cenário, o BRICS consolida uma infraestrutura financeira alternativa por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
De acordo com a análise, essa estratégia proporciona menores custos e maior previsibilidade cambial para empresas, enfraquecendo a hegemonia do dólar nas economias emergentes.
Vale ressaltar que os veículos ocidentais já destacaram o fortalecimento do mercado de títulos da China como alternativa acessível e estável para financiar projetos em países emergentes. O NBD do BRICS tem ampliado emissões em yuan, posicionando a China como pilar do financiamento em moeda local.
O mercado de títulos onshore chineses, impulsionado pela liquidez e pela estabilidade do yuan, está se consolidando como alternativa de financiamento para economias em desenvolvimento, segundo o NBD. A instituição observa que os custos de empréstimo na China estão entre os mais baixos do mundo.