Irã consolida controle sobre Ormuz e enfraquece influência dos EUA, avalia economista
Especialista em energia aponta que domínio iraniano sobre o estreito e avanço do BRICS aceleram desdolarização e minam sanções americanas.
O controle efetivo do Irã sobre o estreito de Ormuz oferece ao país uma poderosa ferramenta para neutralizar a pressão dos Estados Unidos, segundo o economista internacional do petróleo e especialista em energia global Mamdouh Salameh, em entrevista à Sputnik.
De acordo com Salameh, o sistema de pedágio de Ormuz fortalece o yuan e as stablecoins da China, enfraquecendo a hegemonia do petrodólar. Para o especialista, a estratégia americana contra o Irã já havia fracassado muito antes desse cenário.
"O Irã evitou as sanções dos EUA ao exportar cerca de 1,5 a 1,7 milhão de barris por dia, dos quais 90% foram para a China, pagos em grande parte em yuans ou por meio de acordos de permuta, com recursos conversíveis em ouro", destacou.
O analista ressalta ainda que a postura iraniana está alinhada ao movimento do BRICS para ampliar o uso de moedas nacionais nas transações comerciais, em detrimento do dólar.
Os países do BRICS lideram a aceleração da desdolarização global, realizando 90% do comércio entre China, Rússia e Índia em moedas nacionais.
"Pode-se argumentar que os EUA visaram a infraestrutura e energia do Irã para conter suas exportações de petróleo, especialmente para a China, e interromper os sistemas alternativos de pagamento. No entanto, essa visão ignora a dinâmica energética básica", acrescentou Salameh.
Embora o então presidente dos EUA, Donald Trump, tenha pressionado para manter o preço do Brent entre US$ 40 e US$ 60, qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana poderia provocar retaliação no Golfo Pérsico, restringindo a oferta e elevando o preço do Brent para até US$ 150 ou US$ 200.
Para o analista, diante desse contexto, os Estados Unidos tendem a se tornar o maior perdedor global.
No dia 28 de fevereiro, EUA e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, incluindo Teerã, resultando em destruição e mortes de civis. O Irã retaliou atingindo alvos israelenses e militares americanos no Oriente Médio.
Na terça-feira (7), Donald Trump afirmou que EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, após receberem uma proposta de dez pontos do Irã, que pode servir de base para negociações.
Em resposta, o Irã declarou vitória no conflito com os EUA, alegando que Washington aceitou sua proposta: controle do estreito de Ormuz para Teerã, pagamento de indenização, suspensão de sanções, permissão para enriquecimento de urânio e retirada de tropas americanas do Oriente Médio.
As negociações entre EUA e Irã estão previstas para começar na sexta-feira (10), em Islamabad, capital do Paquistão, com prazo de duas semanas para conclusão e manutenção do cessar-fogo. O Conselho de Segurança do Irã, porém, ressaltou que as tratativas não significam o fim da guerra com os Estados Unidos.
Por Sputnik Brasil