André Nassar destaca prioridade nos testes para elevar biodiesel a 17% no diesel
Presidente da Abiove afirma que setor busca acelerar avaliações para ampliar mistura, com apoio financeiro ao governo
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, afirmou nesta quarta-feira (8) que a Aliança Biodiesel vai concentrar esforços para que o governo federal realize, em até cinco meses, os testes de qualidade e desempenho necessários para aumentar a mistura de biodiesel no diesel de 15% para 17%.
Nassar explicou que os testes, inicialmente previstos para 2025, ainda não foram iniciados devido à falta de organização do setor. "Nosso pleito principal é aproveitar o momento de escalada das tensões no Oriente Médio e alta do petróleo para fazer os testes o mais rápido possível, em quatro ou cinco meses. Foi feita uma proposta de teste, atrasada em nossa visão. Não por causa do governo, mas por conta de organizar todos os agentes do setor", afirmou durante o lançamento da Aliança Biodiesel, em Brasília (DF).
No mesmo evento, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), garantiu que o governo realizará os testes de qualidade necessários para ampliar a mistura "em questão de dias".
Nassar destacou que, para viabilizar o início dos testes, a Aliança deverá contribuir financeiramente, auxiliando o governo federal a firmar contratos com laboratórios privados. "O governo precisa fazer um convênio para pagar os laboratórios. Provavelmente, não tem todo o recurso, aí nós vamos, provavelmente, ter que ajudar e doar financeiramente recursos", explicou.
Os testes previstos devem avaliar parâmetros como desempenho em motores, estabilidade da mistura e impactos logísticos, visando garantir a qualidade do combustível.
O aumento da mistura de biodiesel está previsto na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece um cronograma de elevação gradual do teor de biocombustíveis, condicionado à comprovação técnica de viabilidade.
A implementação do novo percentual ainda depende de deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), responsável por avaliar a oferta do produto, impactos sobre preços e segurança do abastecimento.
A aceleração dos testes ocorre em meio à alta recente do petróleo no mercado internacional e tensões geopolíticas, reforçando o interesse em alternativas que reduzam a dependência de combustíveis fósseis.