ECONOMIA GLOBAL

Fed aponta incerteza sobre impacto da guerra no Oriente Médio na economia dos EUA

Ata do Federal Reserve destaca riscos e mantém atenção a efeitos do conflito na política monetária americana.

Publicado em 08/04/2026 às 16:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A ata do último encontro do Federal Reserve (Fed), divulgada nesta quarta-feira, 8, revelou que os membros do banco central dos Estados Unidos avaliam como incertas as consequências dos recentes acontecimentos no Oriente Médio para a economia americana. Apesar dessa incerteza, termo recorrente no documento, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) destacou que segue atento aos riscos que podem afetar tanto a estabilidade de preços quanto o pleno emprego.

O documento detalha as razões para a manutenção da taxa básica de juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano durante a reunião de março de 2026, realizada antes dos recentes desdobramentos que culminaram no anúncio de cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã em 8 de abril.

Cenário

Segundo a ata, os dirigentes do Fed observam uma economia em expansão, embora com sinais de moderação no mercado de trabalho e inflação ainda acima do patamar desejado. O texto aponta que a atividade econômica americana continuou crescendo em "ritmo sólido", mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e dos efeitos da paralisação do governo federal no quarto trimestre do ano anterior.

Sobre a inflação, o documento ressalta que os preços ao consumidor seguem elevados, em grande parte como reflexo das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. "Já a inflação de preços de serviços do núcleo do índice recuou em relação ao ano anterior, puxada pela desaceleração da inflação de habitação", ponderou o Fed.

No mercado de trabalho, a ata indica que a taxa de desemprego se manteve estável nos últimos meses, mas a contratação permaneceu fraca, sugerindo desaceleração na criação de vagas. "A taxa de desemprego foi de 4,4% em fevereiro, o mesmo nível observado em setembro de 2025. A variação média mensal do emprego total nos dados do payroll foi baixa em janeiro e fevereiro", destacou o Fed.

O comitê atribuiu parte do desempenho mais fraco do emprego no início do ano a fatores temporários, como o inverno rigoroso e greves ocorridas em janeiro e fevereiro, que impactaram negativamente as folhas de pagamento. Uma reversão desses efeitos é esperada para março. "Os efeitos de uma greve no setor de saúde e de um inverno excepcionalmente rigoroso no Hemisfério Norte pressionaram o payroll em fevereiro", explica o documento.

Política monetária

A ata revela que os participantes da reunião previram que, sob uma política monetária adequada, a inflação deve recuar gradualmente em direção à meta de 2% do comitê, à medida que se dissipem os efeitos das tarifas e da alta dos preços do petróleo.

O documento aponta que os efeitos das tarifas sobre os preços de bens básicos tendem a diminuir ao longo do ano, embora o ritmo e o momento dessa redução sejam considerados mais incertos desde a reunião de janeiro. Além disso, o Fed avalia que preços mais altos do petróleo devem elevar a inflação no curto prazo e atrasar o retorno ao patamar de 2%.