Ibovespa avança mais de 1,5% impulsionado por cessar-fogo entre EUA e Irã
Alívio geopolítico anima investidores, mas queda do petróleo limita ganhos; ações cíclicas lideram altas
O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 8, refletindo o otimismo global após o anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã. O principal índice da B3 sobe mais de 1,5%, embora os ganhos sejam limitados pela forte queda de mais de 15% nas cotações futuras do petróleo Brent, que recua para US$ 92,48 o barril.
“Não significa o fim do conflito, e não acho que encontrarão uma solução em breve, mas permite uma trajetória mais positiva para os mercados”, avalia Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Na noite anterior, EUA e Irã firmaram acordo para duas semanas de cessar-fogo. Os americanos anunciaram a interrupção dos ataques e garantiram que Israel também suspenderia suas ações. Em contrapartida, o Irã reabriu o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa 20% do comércio global de gás e petróleo.
Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, destaca que, considerando o histórico do presidente Donald Trump, é improvável que os EUA promovam um ataque em larga escala ao Irã, pois isso prejudicaria sua popularidade. “É de interesse do governo americano encerrar ou pausar esse conflito rapidamente”, afirma.
Com o cessar-fogo, segundo Yamashita, o apetite ao risco retorna rapidamente, impulsionando o fluxo para as bolsas e favorecendo mercados emergentes, como o Brasil.
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a queda do petróleo pode aliviar pressões inflacionárias em economias como a brasileira, mas também traz riscos de estagflação em outras regiões. “É um belo dia para ações cíclicas”, avalia.
Entre as maiores altas do Ibovespa estão papéis sensíveis ao ciclo econômico, como Vamos (9,32%) e Assaí (8,24%). O destaque é Hapvida, que sobe 13,65% após vender operações no Sul do País, buscando melhorar seu desempenho financeiro.
Segundo Cruz, a queda do petróleo pode reduzir a pressão sobre a Petrobras para reajustar preços dos combustíveis, sobretudo da gasolina, embora isso tenda a impactar negativamente o caixa da companhia.
Além do impacto do cessar-fogo, investidores acompanham declarações do Banco Central. Em evento nesta manhã em São Paulo, o diretor de Política Monetária, Nilton David, esclareceu que a instituição não está flexibilizando a política monetária, mas sim calibrando-a, mantendo-a no campo restritivo.
Em audiência na CPI do crime organizado, em Brasília, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou que o sigilo de oito anos sobre informações da liquidação do Banco Master segue as regras da autoridade monetária desde 2018. Galípolo também reforçou que o BC segue estritamente seu mandato, inclusive quanto à meta de inflação.
O IGP-DI, divulgado hoje, registrou alta de 1,14% em março, após queda de 0,84% em fevereiro, superando a mediana das estimativas do mercado, que era de 1,06%.
Na terça-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,05%, aos 188.258,91 pontos.
Às 11h25 desta quarta, o Ibovespa subia 1,17%, aos 191.483,21 pontos, após atingir máxima histórica de 193.759,01 pontos. As ações da Petrobras lideravam as quedas, recuando entre 7,38% (PN) e 8,79% (ON).
Dos 83 papéis do índice, nove registravam queda, todos ligados ao setor de energia, com exceção da Braskem, que caía 1,89%.