'Esperamos seguir em território restritivo na política monetária', afirma diretor do BC
Nilton David, diretor do Banco Central, destaca que política segue restritiva e descarta flexibilização, apesar de inflação convergente.
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou nesta quarta-feira (8) que, há cerca de 40 dias, o mercado projetava a inflação dentro da meta, o que motivou o Comitê de Política Monetária (Copom) a iniciar o processo de atraso dos juros. “Com a inflação convergindo e as expectativas cadentes, os juros resultaram na confiança”, explicou durante a participação no 12º Brazil Investment Forum, evento anual promovido pelo Bradesco BBI para investidores nacionais e estrangeiros.
David ressaltou que o BC não está implementando uma flexibilização da política monetária, mas sim promovendo uma flexibilidade, o que significa manter a política em um patamar restritivo. “Esperamos seguir em território restritivo na política monetária”, reforçou o diretor do BC.
Atividade econômica
O diretor também abordou o consenso dentro do Copom de que conflitos armados globais tendem a reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) mundial. “O BC não acredita na tese de que a guerra estimula o crescimento do PIB no Brasil”, afirmou.
Segundo Nilton David, o carry trade permanece praticamente estável há mais de um ano, e não é correto afirmar que ele resolve todas as questões relacionadas ao câmbio.
O diretor acrescentou que a expectativa do Banco Central é de que a atividade econômica brasileira ultrapasse seu potencial nas próximas semanas. “É natural que o emprego fique mais apertado após um crescimento acima da capacidade”, avaliou.
Para o BC, segundo David, esse cenário é relevante porque “um nível de emprego mais apertado do que o natural não facilita o ancoragem das expectativas”.
Ele destacou ainda que o Brasil tem sido visto como um país sem problemas de conta corrente, o que contribui para a percepção positiva do mercado internacional.