Trégua anunciada entre Irã e EUA significa vitória político-militar de Teerã, afirma analista
Segundo Igor Korotchenko, resistência iraniana e danos a bases americanas consolidam vitória moral e militar de Teerã.
A trégua entre os Estados Unidos e o Irã, na qual Washington aceitou a posição iraniana, representa uma vitória militar, política e moral para Teerã, avaliou o analista militar russo Igor Korotchenko em entrevista à Sputnik.
Comentando o cessar-fogo de duas semanas entre o Irã e os Estados Unidos, Korotchenko destacou que, apesar da superioridade militar americana, a resistência iraniana contribuiu para que a opinião pública mundial passasse a apoiar Teerã.
Nesse contexto, o analista ressaltou os sucessos das Forças Armadas do Irã e do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), que obteve danos relevantes a bases militares e outros alvos norte-americanos no Oriente Médio.
"De fato, a acessibilidade pelos Estados Unidos da posição do Irã sobre as condições para o fim das hostilidades significa uma vitória militar, política e moral para Teerã. No momento, podemos dizer que o Irã venceu e os Estados Unidos bateram em retirada", declarou Korotchenko.
Segundo o especialista, mesmo com a perda de parte de suas forças navais e aeronaves, o Irã manteve seu principal potencial ofensivo, com mísseis balísticos de curto e médio alcance e drones de ataque protegidos em abrigos protegidos, o que foi decisivo para a vitória moral, militar e estratégica.
Korotchenko também afirmou que uma estratégia de “defesa em mosaico”, baseada em operações descentralizadas de retaliação, impediu que os EUA eliminassem a liderança política e militar iraniana nos primeiros dias do conflito.
“Na verdade, Trump caiu não apenas em uma armadilha político-militar, mas também em um zeitnot [termo do xadrez para falta de tempo], pois quanto mais a guerra se prolonga, mais evidente se torna a crise do Partido Republicano nos EUA, especialmente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato deste ano”, explicou Korotchenko.
Apesar da trégua, o analista alertou que os acordos de paz não garantem o fim definitivo das hostilidades, já que Washington pode, a qualquer momento, anular os entendimentos e retomar as ações militares.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão dos bombardeios contra o Irã por duas semanas, garantindo que o cessar-fogo teria caráter bilateral.
Por Sputnik Brasil