Cassinos físicos: o próximo passo da regulação após o boom das bets?
O mercado de apostas online no Brasil viveu uma virada histórica em 2025. Com a entrada em vigor da regulamentação federal, o setor passou a operar sob regras claras de fiscalização, compliance e proteção ao consumidor.
Após o primeiro ano de regulação, a indústria demonstra sinais de amadurecimento e o debate sobre a expansão para cassinos físicos ganha força no Congresso.
O primeiro ano de regulamentação
Em 1º de janeiro de 2025, a regulamentação das apostas esportivas e jogos online começou oficialmente. O período foi marcado por profundas transformações estruturais na indústria, especialmente na adaptação às exigências legais impostas pelo novo modelo regulatório.
O Brasil já figurava entre os maiores mercados globais de apostas, e o impacto econômico ficou evidente rapidamente. No primeiro semestre de 2025, o setor movimentou R$ 17,4 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda ao longo do ano.
Para 2026, a expectativa é de consolidação. Operadoras que investiram em conformidade e estrutura tendem a ganhar competitividade, enquanto empresas que não conseguiram se adequar às novas regras enfrentam maior dificuldade para permanecer no ambiente regulado.
As principais mudanças da regulamentação
A regulamentação trouxe maior segurança jurídica tanto para operadores quanto para jogadores. Jogos populares passaram a operar dentro de um ambiente supervisionado, como é o caso do Fortune Tiger, que agora pode ser ofertado por plataformas devidamente autorizadas, com mecanismos de controle e transparência exigidos pela legislação.
Durante o primeiro ano, 185 operadoras foram autorizadas a atuar no Brasil pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Para operar legalmente, as empresas precisam cumprir uma série de exigências previstas na legislação.
Confira as principais mudanças
- Ter sede e administração em território nacional;
- Devem obter a autorização legal para operar;
- Possuir no domínio o "bet.br";
- Jogadores devem ser identificados via CPF e reconhecimento facial;
- Plataformas devem oferecer ferramentas de autoexclusão, limites de depósito e alertas de tempo de uso;
- Transações financeiras serão reportadas em tempo real pelo SIGAP (sistema de gestão de apostas);
- Seguir condições específicas para comunicação, publicidade e atividades de marketing. Todas as peças devem conter o número da outorga federal e o CONAR ficará responsável por fiscalizar influenciadores de redes sociais e a publicidade de apostas voltadas aos menores de idade.
Dificuldades do setor
Apesar do futuro do setor de apostas online ser otimista, o custo para que as casas de aposta atuem em conformidade dificultou a legalização de várias delas, com impostos de 12% sobre o GGR + taxas de fiscalização.
O custo de aquisição por cliente também subiu, e os produtos agora passam por verificações para garantir o RTP, além de não poderem mais trabalhar com bônus de depósito, apenas com programas de fidelidade e cashback sobre perdas.
E os cassinos físicos?
Os cassinos físicos tiveram a votação adiada por tempo indeterminado, mesmo podendo movimentar pelo menos o dobro de receita. Além de gerar empregos e movimentar a economia, seria muito mais fácil fiscalizar e tornar segura a prática de apostas em casas físicas.
Esse modelo agregaria ao turismo no país e à arrecadação de impostos por estados, mas ainda é visto como possibilidade de lavagem de dinheiro, vício e crimes pelo Senado.
Mercados internacionais criaram sistemas diferentes para incentivar o setor sem deixar de fiscalizar e regulamentar, como níveis de licença baseados no volume de transações, licença diferenciada para pequenos operadores, análise preditiva para ferramentas de jogos responsáveis entre outras que tornam a prática legal mais competitiva e interessante.
O próximo passo da regulação no Brasil
O primeiro ano da regulamentação das apostas online demonstrou a capacidade do Brasil de estruturar um mercado formal, com padrões elevados de compliance e supervisão ativa.
A consolidação do setor em 2026 pode servir como base para decisões futuras sobre a legalização dos cassinos físicos. O debate segue aberto, mas o histórico recente indica que a regulação tende a fortalecer o setor, aumentar a arrecadação e elevar os níveis de segurança para operadores e jogadores.
Após o boom das bets, a pergunta que permanece é estratégica: o Brasil avançará para um modelo completo de regulação dos jogos, incluindo cassinos físicos, ou manterá o foco apenas no ambiente online?