POLÍTICA

Alcolumbre decide não prorrogar CPI do Crime Organizado; relator critica decisão

Senador Alessandro Vieira lamenta encerramento antecipado da comissão e classifica decisão como 'grande desserviço'.

Por Sputinik Brasil Publicado em 07/04/2026 às 19:30
Davi Alcolumbre decide não prorrogar CPI do Crime Organizado, gerando críticas do relator Alessandro Vieira. © Jonas Pereira/Senado Federal

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta terça-feira (7) que a comissão deverá encerrar seus trabalhos na próxima terça-feira (14), sem possibilidade de prorrogação.

Segundo Vieira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comunicou durante reunião que não pretende estender o funcionamento do colegiado em ano eleitoral:

"Tive no início da tarde uma reunião com o presidente Alcolumbre. O presidente decidiu não fazer a prorrogação. Ele justifica que se trata de ano eleitoral e não é bom", relatou o senador durante sessão plenária. "É uma decisão unilateral do presidente que não tem a nossa concordância", criticou.

De acordo com o relator, a decisão prejudica o andamento da comissão, que ficará sem tempo suficiente para aprofundar as investigações.

"É óbvio que a gente não concorda com esse posicionamento. Entendo que o presidente presta um grande desserviço. Infelizmente não teremos tempo", declarou Vieira.

O senador também expressou frustração com a medida, mas descartou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão.

"Temos uma definição do STF de que cabe ao presidente do Senado esse entendimento de oportunidade".

Vieira ainda comentou sobre a expectativa de que o STF autorize a criação de uma comissão para investigar o Banco Master, pedido protocolado na semana passada.

"Semana passada, quando se rejeitou a prorrogação da CPMI do INSS, este entendimento foi reiterado: instalar a CPI é direito da minoria; prorrogar, não, prorrogar seria uma decisão política do presidente da Casa. Por isso não pretendo judicializar a decisão. A gente vai jogar pela regra", concluiu.

Galípolo confirma ida à CPI

Mais cedo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou presença na CPI nesta quarta-feira (8), segundo o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato.

Galípolo foi convidado a prestar esclarecimentos sobre reunião realizada no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, que contou com a presença de investigados, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também é aguardado para depor, mas, por ter sido convocado, está legalmente obrigado a comparecer.

A CPI do Crime Organizado foi criada em novembro do ano passado para investigar a estrutura, expansão e funcionamento de organizações criminosas, com foco na atuação de milícias e facções em todo o país.

A iniciativa foi motivada por uma megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortos e mais de 100 prisões.