DIREITOS TRABALHISTAS

Amado Batista e BYD entram na 'lista suja do trabalho escravo'

Montadora chinesa e cantor são incluídos em cadastro do Ministério do Trabalho após fiscalização identificar condições análogas à escravidão.

Publicado em 07/04/2026 às 18:04
Amado Batista Reprodução / Instagram

O cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD foram incluídos na chamada "lista suja do trabalho escravo" do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cuja atualização foi divulgada nesta segunda-feira, 6. O cadastro reúne empregadores que, segundo o órgão, submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A inclusão na lista ocorre após a conclusão de processos administrativos, que garantem o direito à ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos.

A assessoria de imprensa de Amado Batista afirmou, em nota, que "não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades" e que "todos os funcionários continuam trabalhando normalmente".

Procurada, a assessoria da BYD não enviou posicionamento até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

Amado Batista foi autuado em duas fiscalizações realizadas em 2024, em Goianópolis (GO). A primeira envolveu 10 trabalhadores no Sítio Esperança e, a segunda, quatro funcionários do Sítio Recanto da Mata, ambos localizados na zona rural da cidade, às margens da BR-060.

Segundo a equipe do cantor, uma fazenda "arrendada" por Batista para o plantio de milho foi alvo de fiscalização, que identificou irregularidades na contratação de quatro trabalhadores terceirizados responsáveis pela abertura da área de plantio.

A assessoria informou ainda que o cantor assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), no qual "todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas". Acrescentou ainda que estão sendo tomadas providências administrativas para o encerramento dos procedimentos de autuação.

No caso da BYD, a empresa foi autuada durante fiscalização em 2024, em Camaçari (BA), onde construiu a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, inaugurada em 2025.

De acordo com o MTE, entre dezembro de 2024 e maio de 2025 foram realizadas diversas diligências fiscais na construção do empreendimento. Em uma dessas ações, 471 trabalhadores chineses foram identificados em situação irregular no Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

Segundo o Ministério, os funcionários estavam submetidos a condições de vida e trabalho extremamente precárias, dormindo em camas sem colchão e guardando pertences junto a ferramentas de trabalho e alimentos. "Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para cada 31 pessoas, obrigando os trabalhadores a acordar às 4h da manhã para se prepararem para a jornada", relatou o MTE em comunicado.

Os auditores-fiscais também identificaram indícios de que a BYD teria cometido fraude contra as autoridades migratórias brasileiras, facilitando a entrada dos trabalhadores estrangeiros sem o devido registro e em desacordo com a legislação.

No total, 169 novos nomes foram incluídos na atualização desta segunda-feira. Criada em 2003, a "lista suja" é publicada semestralmente para divulgar os resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, envolvendo a atuação do MPT, Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, eventualmente, outras forças policiais.