Petróleo fecha sem direção após ultimato de Trump elevar tensão no Oriente Médio
Cotações do WTI e Brent oscilam em sessão marcada por ameaças dos EUA e resposta do Irã sobre o Estreito de Ormuz
O mercado de petróleo encerrou o pregão desta terça-feira, 7, sem direção definida, após uma sessão marcada por forte volatilidade. O clima de incerteza aumentou diante do prazo estipulado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um cessar-fogo e reabra o Estreito de Ormuz.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio registrou alta de 0,48% (US$ 0,54), fechando a US$ 112,95 por barril.
Enquanto isso, o Brent para junho recuou 0,45% (US$ 0,50), fechando a US$ 109,27 por barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
As cotações oscilaram ao longo do dia, influenciadas pelas notícias sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã.
De acordo com o New York Times, o Irã suspendeu as negociações com os EUA e comunicou ao Paquistão que não participará mais de conversas sobre um cessar-fogo. Durante o pico da sessão, o WTI atingiu US$ 117 e o Brent chegou a US$ 111 por barril, antes de perderem força.
Trump intensificou as ameaças ao Irã nesta terça-feira, afirmando que "uma civilização inteira morrerá esta noite".
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alertou que pode atacar infraestruturas energéticas e privar a região de petróleo e gás "por anos".
Analistas da Macquarie avaliam que o pior cenário seria uma ofensiva dos EUA contra ativos iranianos. "Caso o Brent suba em direção a US$ 150/barril com ataques, isso também pode gerar ataques especulativos às moedas de países emergentes altamente dependentes de importações de petróleo", explicam.
Com a guerra entrando na sexta semana, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) elevou sua projeção para o preço médio do Brent em 2026 para US$ 96 por barril e passou a estimar valor médio de US$ 76 em 2027, considerando os efeitos do conflito.
Já analistas do UBS afirmam que a recuperação da produção aos níveis anteriores ao conflito deve demorar, indicando que os preços devem permanecer elevados por mais tempo.
No mesmo período, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou que sua produção despencou 25% em março, a maior queda em pelo menos quatro décadas, segundo levantamento da Bloomberg.