CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Irã rejeita cessar-fogo temporário e denuncia quebra de confiança na ONU após ataques de 2025

Representante iraniano afirma que experiências anteriores minaram a confiança e critica ameaças dos EUA como incitação ao genocídio

Publicado em 07/04/2026 às 15:35
Representante do Irã na ONU rejeita cessar-fogo e denuncia ameaças dos EUA após ataques em 2025. © AP Photo / Richard Drew

O Irã descartou qualquer possibilidade de cessar-fogo temporário, alegando a má experiência de junho de 2025, quando as hostilidades foram retomadas sob pretextos considerados falsos. A declaração foi feita nesta terça-feira (7) pelo representante permanente do país na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani.

"O Irã rejeita categoricamente um cessar-fogo temporário, especialmente à luz da experiência de junho, quando as hostilidades foram reiniciadas sob justificativas infundadas", afirmou Iravani durante uma reunião do Conselho de Segurança.

No ano passado, os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas, incluindo um centro de pesquisa. Segundo a justificativa da Casa Branca, o Irã estaria avançando para obter uma arma nuclear, informação nunca confirmada oficialmente. O episódio quase resultou em uma guerra generalizada no Oriente Médio, região já marcada por instabilidades, principalmente devido ao conflito entre Israel e grupos na Faixa de Gaza.

Diante das recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou "destruir uma civilização inteira" caso o Irã não aceite as condições para encerrar o conflito, Iravani classificou a fala como incitação ao genocídio.

"O apelo do presidente dos Estados Unidos para a destruição em larga escala de infraestrutura civil essencial constitui incitação a crimes de guerra e, potencialmente, ao genocídio, devendo ser inequivocamente condenado à luz do direito internacional", afirmou o diplomata durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU.

No fim de semana, Trump já havia elevado o tom ao ameaçar destruir todas as pontes e usinas elétricas do Irã caso não houvesse a reabertura do estreito de Ormuz. Teerã respondeu que reagirá de forma firme caso Washington cumpra as ameaças.

Ormuz permanece aberto, garante diplomata

Durante o discurso, o representante iraniano assegurou que o estreito de Ormuz permanece aberto ao comércio internacional, mas com restrições a embarcações ligadas aos Estados Unidos e Israel, países que considera responsáveis pelo conflito na região.

"A guerra contínua, ilegal e brutal travada pelos Estados Unidos e pelo regime israelense contra o Irã criou uma situação perigosa que afetou diretamente a segurança marítima na região. Embarcações associadas aos agressores não se qualificam para passagem inocente e serão tratadas conforme os marcos legais aplicáveis. Navios não hostis, que não estejam envolvidos ou apoiando a agressão, podem continuar a transitar com segurança, em coordenação com as autoridades competentes do Irã", afirmou.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no território iraniano, incluindo a capital Teerã, resultando em destruição e mortes de civis. Em resposta, o Irã passou a realizar ações contra alvos israelenses e também contra instalações militares dos EUA no Oriente Médio.

Por Sputnik Brasil