MERCADO FINANCEIRO

Tensão geopolítica pressiona Ibovespa, que recua mais de 1%

Conflito entre Estados Unidos e Irã eleva cautela global, impactando bolsas e valorizando ações da Petrobras e Vale.

Publicado em 07/04/2026 às 11:07
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O Ibovespa opera em queda na manhã desta terça-feira (7), acompanhando a tendência dos principais índices acionários do Ocidente, em meio à expectativa por um possível acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. O ambiente de cautela impulsiona o preço do petróleo, favorecendo as ações da Petrobras e atenuando o recuo do principal índice da B3. Além disso, os papéis da Vale apresentam alta, mesmo diante do recuo de 0,44% do minério de ferro em Dalian, na China.

A busca por uma solução pacífica para os conflitos no Oriente Médio ocorre em meio à intensificação dos ataques e das ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã. Com a agenda econômica esvaziada de indicadores relevantes, o foco dos investidores permanece nos desdobramentos da guerra e nos seus possíveis impactos sobre a economia global.

No cenário doméstico, investidores acompanham a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Luiz Marinho (Trabalho), Esther Dweck (Gestão), Bruno Moretti (MPO) e Dario Durigan (Fazenda), que discutem o endividamento das famílias no Palácio do Planalto.

No exterior, Donald Trump reafirmou ontem que a noite desta terça-feira (21h, horário de Brasília) é o prazo final para que o Irã aceite um acordo de trégua que inclua a reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.

Nesta manhã, Trump elevou ainda mais o tom, declarando que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta" e classificando o momento como um dos mais importantes da história mundial. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a guerra no Irã será encerrada em breve.

“As declarações foram contundentes. O Irã ainda não cedeu. O país parece disposto a arriscar, o que aumenta a tensão no mercado”, avalia Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.

O Ibovespa abriu em 188.162,35 pontos, mas rapidamente perdeu esse patamar, recuando para a faixa dos 186 mil pontos, acompanhando a intensificação das quedas nas bolsas de Nova York. A desvalorização ocorre apesar da recuperação das ações da Petrobras e do avanço dos papéis da Vale.

Os investidores também seguem atentos ao novo pacote de medidas do governo federal para conter o aumento do diesel e do gás de cozinha (GLP), que inclui uma subvenção extra sobre os preços. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a iniciativa é necessária devido à insuficiência da produção nacional desses combustíveis.

Pela manhã, o petróleo Brent subia para US$ 110,68 e o WTI girava em torno de US$ 116 o barril. Em relatório, o Itaú Unibanco avaliou que o bloqueio do Estreito de Ormuz provocou a maior disrupção de fornecimento da história. O banco estima que, se a situação não se normalizar, o preço do barril pode chegar a US$ 180 em três meses, mesmo com a existência de alternativas logísticas.

Na segunda-feira, o Ibovespa encerrou em leve alta de 0,06%, aos 188.161,97 pontos.

Às 10h47 desta terça-feira, o índice registrava queda de 1,09%, atingindo a mínima de 186.113,51 pontos, após máxima de 188.170,92 pontos. Com a alta do petróleo, as ações da Petrobras subiam entre 0,45% (PN) e 0,67%. Vale avançava 0,11%, enquanto os bancos recuavam mais de 1,5%. Das 83 ações do índice, apenas seis apresentavam valorização.