Estudo da CNI aponta que redução da jornada de trabalho pode diminuir PIB em mais de R$ 76 bi
Levantamento inédito estima queda de 0,7% no PIB caso jornada semanal seja reduzida de 44 para 40 horas. Indústria seria o setor mais afetado.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta terça-feira (7) um levantamento inédito que aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode sofrer uma retração de 0,7% caso a jornada de trabalho semanal seja reduzida de 44 para 40 horas. O impacto estimado é uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia nacional.
De acordo com a entidade, a indústria será o setor mais afetado, caso o Congresso Nacional aprove a medida. “O segmento enfrentará a maior queda no PIB em termos relativos, de 1,2%, o equivalente a R$ 25,4 bilhões. Além da redução nas horas trabalhadas, o aumento generalizado dos preços da economia em razão da alta do custo do trabalho impactará em perda de competitividade para a indústria nacional, ampliando os efeitos negativos da redução da jornada sobre o setor”, destaca a CNI.
O estudo ainda revela que o setor de comércio será o segundo mais atingido, com uma retração de 0,9% no PIB, ou R$ 11,1 bilhões. Em seguida aparecem os setores de serviços (-0,8%), agropecuária (-0,4%) e construção (-0,3%).
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a queda do PIB industrial em 1,2% pode acelerar o processo de desindustrialização e afetar toda a cadeia produtiva. “A maior redução das horas trabalhadas aumentará a exposição brasileira ao mercado externo. A consequência será a perda de competitividade do produto nacional. Assim, a nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, afirma Alban.
A CNI utilizou um modelo de Equilíbrio Geral Computável (EGC) para calcular os efeitos do aumento de custos provocado pela redução da carga horária semanal na economia brasileira. “Os cálculos mostram que, como consequência da elevação do custo do trabalho, haverá, ao fim do processo de ajuste da economia, aumento generalizado dos preços. O impacto será sentido tanto nos bens e serviços para os consumidores finais quanto nos insumos e matérias-primas para as empresas, o que gera perda de competitividade”, reforça a entidade.
A indústria defende que o debate técnico sobre a redução da jornada de trabalho seja separado do calendário eleitoral. “A discussão da redução de jornada é legítima, mas qualquer decisão dessa dimensão deve levar em conta a avaliação de impacto e seus efeitos econômicos. A produtividade no Brasil ainda está muito aquém de países semelhantes e há escassez de mão de obra. Por isso, ainda não é hora de alterar a jornada de trabalho”, conclui Ricardo Alban.