TENSÃO INTERNACIONAL

Aposta arriscada: ultimato de Trump isola EUA e aumenta chance de conflito prolongado, diz mídia

Pressão dos EUA sobre Irã eleva riscos de escalada militar e expõe isolamento diplomático de Washington, apontam analistas internacionais.

Publicado em 07/04/2026 às 06:13
Donald Trump durante coletiva sobre ultimato ao Irã: tensão e isolamento diplomático dos EUA. © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

Às vésperas do prazo do ultimato dos EUA, Donald Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que o país poderia ser "eliminado em uma noite" caso não aceite as exigências norte-americanas. Apesar do tom agressivo e de acenos a negociações, Teerã rejeita ceder e mantém desconfiança após ataques anteriores.

O ultimato dos Estados Unidos ao Irã se aproxima, e Donald Trump reiterou as ameaças durante uma longa coletiva na Casa Branca. O presidente norte-americano declarou que o Irã poderia ser "eliminado em uma noite" caso não atendesse às exigências de Washington até o prazo desta terça-feira (7), embora também tenha mencionado tentativas de negociação. Até o momento, não há sinais de que Teerã esteja disposto a ceder.

Trump endureceu o discurso ao prometer destruir usinas elétricas e pontes iranianas, ignorando críticas de que tais ações poderiam configurar crimes de guerra. Ainda assim, afirmou acreditar que existe um interlocutor disposto a negociar no Irã e que espera evitar ataques diretos à infraestrutura do país. O ultimato inclui a reabertura do estreito de Ormuz, cuja importância estratégica tem sido central no conflito.

Durante a coletiva, Trump também criticou aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por não contribuírem para a segurança do estreito, chamando a aliança de "tigre de papel".

O presidente norte-americano ampliou as críticas a países como Coreia do Sul, Austrália e Japão, acusando-os de não ajudarem os EUA no enfrentamento ao Irã. As declarações reforçam o isolamento diplomático da estratégia dos Estados Unidos.

Do lado iraniano, autoridades reiteram que não vão aceitar o ultimato sem garantias de que não serão atacadas novamente. O chefe da missão iraniana no Cairo afirmou que Teerã perdeu a confiança no governo Trump após bombardeios anteriores durante negociações.

Para analistas consultados pelo Global Times, diante da pressão, Washington alterna entre escalada e recuos táticos, tornando imprevisível o próximo movimento caso o acordo fracasse.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Irã dificilmente fará concessões significativas, enquanto os EUA enfrentam limitações para alterar sua posição. O envolvimento de Israel adiciona complexidade ao cenário: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem pressionado Trump a não aceitar um cessar-fogo, temendo riscos estratégicos. Trump, por sua vez, insiste que só considerará uma trégua se o Irã entregar todo o urânio enriquecido e abandonar o programa nuclear.

A divergência entre os objetivos estratégicos de Washington e Tel Aviv sugere que os EUA podem estar sendo influenciados pela agenda israelense, aproximando o conflito de uma dinâmica de guerra por procuração. Essa dependência pode obscurecer os interesses norte-americanos, aumentar o risco de escalada e dificultar qualquer tentativa de desescalada, segundo analistas chineses citados pela mídia.

Com o prazo se esgotando e o Irã rejeitando tanto o ultimato quanto um cessar-fogo temporário, Trump se vê em uma posição delicada. Caso não haja acordo, ele pode optar por estender o prazo novamente — algo que já ocorreu três vezes nas últimas semanas — prolongando ainda mais o conflito e tornando o desfecho ainda mais incerto.

Por Sputnik Brasil