José Antonio Kast e Javier Milei reforçam alinhamento em agenda bilateral na Argentina
Presidentes do Chile e da Argentina priorizam integração econômica, combate ao crime e cooperação em mineração durante encontro em Buenos Aires.
Os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Chile, José Antonio Kast, reafirmaram nesta segunda-feira (6) o compromisso de aprofundar a agenda bilateral entre os dois países, com foco em integração econômica, especialmente na área de mineração, além do combate ao crime organizado e à imigração ilegal.
“Foi uma reunião muito produtiva… Juntos, mostramos que temos uma força incomparável”, declarou Kast em coletiva de imprensa após ser recebido por Milei na Casa Rosada, em Buenos Aires. Esta foi sua primeira visita de Estado desde que assumiu o cargo em 11 de março.
De acordo com a Associated Press, a chegada de Kast ao poder representa a guinada mais acentuada à direita no Chile desde o retorno da democracia em 1990, consolidando uma tendência regional que tem Milei como um de seus expoentes.
Mineração, fronteiras e crime organizado
Kast destacou que Argentina e Chile vivem "um momento histórico para uma maior integração no turismo, comércio, investimento e mineração". Ele demonstrou especial interesse no potencial mineiro argentino, em um contexto em que Milei busca flexibilizar normas ambientais para atrair investimentos ao setor.
"A Argentina está ganhando um impulso significativo e podemos colaborar na troca de conhecimento, logística […] Estamos muito interessados na integração de todos os tipos de produção mineral que a Argentina possa ter", afirmou o presidente chileno.
Os dois líderes também anunciaram esforços conjuntos para melhorar a infraestrutura das passagens de fronteira na Cordilheira dos Andes, com o objetivo de reduzir as longas esperas enfrentadas por turistas e caminhoneiros.
Além disso, os governos enfatizaram a intenção de fortalecer a cooperação em segurança, visando combater a imigração irregular, o narcotráfico e o crime organizado.
"Eles são um inimigo que não respeita a lei e tem muitos recursos… precisamos forjar uma aliança entre os diferentes países", ressaltou Kast. "Na Argentina, houve exemplos claros de combate ao crime organizado. Não há solução real se não fizermos o mesmo no Chile, na Bolívia e em outros países."
Caso Apablaza
Kast também afirmou contar com "total cooperação do governo argentino" para capturar e extraditar o ex-guerrilheiro Galvarino Apablaza, procurado pelas autoridades chilenas pelo assassinato do senador Jaime Guzmán em 1991.
Apablaza, apontado como mentor do crime, fugiu para a Argentina e recebeu status de refugiado político em 2010. Em fevereiro, um tribunal argentino revogou esse status, e desde então seu paradeiro é desconhecido.
O governo Milei oferece recompensa equivalente a US$ 14 mil por informações que levem à sua captura. Kast, que mantinha relação próxima com Guzmán, enfatizou: "No Chile há justiça e ele terá um julgamento justo e uma sentença correspondente".
Por Sputnik Brasil