DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Rússia contesta relatório sobre suposta rede de desinformação na América Latina

Embaixada em Bogotá afirma que acusações carecem de provas e critica replicação sem checagem por veículos colombianos.

Por Sputinik Brasil Publicado em 06/04/2026 às 21:49
Embaixada russa na Colômbia nega relatório sobre rede de desinformação na América Latina. © Foto / Tânia Rêgo/Agência Brasil

A embaixada da Rússia na Colômbia questionou, nesta segunda-feira (6), a veracidade de uma reportagem sobre uma suposta rede de desinformação promovida por Moscou na América Latina. Segundo a missão diplomática, o relatório segue o padrão de fazer acusações sem apresentar provas.

"Nota-se, à primeira vista, que se trata de uma campanha organizada com o objetivo de desacreditar nosso país e os meios de comunicação russos. Não são apresentadas provas, apenas acusações: esse é, hoje, o 'padrão' do jornalismo investigativo ocidental quando o tema está relacionado à Rússia", afirmou a representação diplomática em comunicado.

A embaixada destacou que veículos colombianos reproduziram a informação sem verificação independente e alertou para o fato de que o suposto relatório não está acessível publicamente, o que coloca em dúvida sua existência e conteúdo.

"O mais curioso é que o relatório-fantasma, elaborado por uma organização pouco conhecida e de reputação duvidosa, nunca foi publicado na Internet. Assim, todos os artigos da imprensa colombiana se baseiam exclusivamente no que foi escrito pela EFE [agência de notícias espanhola]. Seguindo uma fé cega na veracidade do que publicou o veículo, os meios desse país não se preocuparam em validar profundamente os fatos, que na prática são fantasias sem contato com a realidade", acrescentou.

A embaixada também expressou preocupação com a reação de atores políticos e da mídia local. "Lamentamos que a imprensa nacional esteja suscetível à influência de fluxos de informação politicamente enviesados provenientes do Ocidente. É preocupante ver que, desta vez, inclusive alguns políticos destacados da Colômbia tenham sido levados por essa farsa, publicando-a em suas redes sociais", afirmou.

A declaração foi feita após a divulgação de um relatório atribuído à organização Digital News Association, segundo o qual a Rússia teria treinado mais de mil criadores de conteúdo em pelo menos oito países da América Latina para influenciar a opinião pública com narrativas alinhadas ao Kremlin.

De acordo com o informe, os países mencionados incluem Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, México, Nicarágua e Venezuela, além da atuação de cerca de 200 criadores hispanofalantes operando a partir da Rússia para audiências latino-americanas.

Diante das acusações, a embaixada russa afirmou que existe uma estratégia sistemática para desacreditar seus meios de comunicação no exterior.

"Ficou comprovado, mais uma vez, que os países ocidentais não conseguem aceitar a existência de fontes de opinião alternativas às que impõem ao restante do mundo. Por isso, buscam qualquer oportunidade para prejudicar a imagem dos meios russos com alcance internacional", declarou.

A representação de Moscou comparou ainda a situação na América Latina com ações em outras regiões, como Europa e América do Norte, onde, segundo afirmou, autoridades ocidentais restringem a transmissão de veículos como RT e Sputnik.

"Na América Latina, como vemos, utilizam outras táticas e canais para difamar os meios citados e o nosso país", concluiu.

Por fim, a embaixada fez um apelo aos meios de comunicação colombianos para reforçar seus padrões de verificação e checagem de fontes, destacando também reações críticas de leitores às publicações recentes.