Vitória busca reverter rescisão de patrocínio após MP
Bet 7k notifica clube sobre rescisão com base na nova legislação que proíbe operações de apostas.
O Vitória tenta reverter o sinal de rescisão que recebeu da bet 7k, sua patrocinadora máster. A empresa deseja encerrar a parceria iniciada em janeiro de 2025, fundamentando-se na medida provisória que proíbe a operação de apostas no Brasil.
A direção rubro-negra, por sua vez, mantém negociações para assegurar a continuidade do contrato. O entendimento é de que cabe apenas a suspensão, não a rescisão, já que a medida é provisória e pode ser derrubada pelo Congresso Nacional.
"Recebemos com surpresa a notificação de rescisão. Entendemos que não cabe. Fizemos a contra-notificação e estamos aguardando a resposta da 7K", afirmou ao Estadão o presidente do Vitória, Fábio Mota.
A 7k é uma das três marcas do grupo Ana Gaming, que também detém a Verabet e a Cassino bet. Juntas, as marcas somam 3,04 milhões de usuários ativos. Segundo informações do Estadão, movimentos como a notificação de rescisão ao Vitória são vistos como "adequações" à proibição imposta. Uma eventual derrubada da MP no Congresso poderia alterar esse cenário.
Até o fim de 2025, a 7k era patrocinadora máster do Santos. A empresa também manteve acordos com Mirassol, Novorizontino, Operário-PR, Athletic-MG, Ituano e Brusque, além de contar com o atacante Hulk e o comentarista Craque Neto como embaixadores. A Cassino bet patrocinou o Fortaleza, mas encerrou o contrato em janeiro, de forma antecipada.
Com o Vitória, a 7k ainda tinha um contrato até dezembro de 2027, com um valor anual de R$ 16 milhões. Com os reajustes, a expectativa da diretoria é que a quantia chegue a R$ 45 milhões em 2027. Antes da 7k, o Vitória já havia firmado um contrato de patrocínio com outra casa de apostas.
COMO OUTROS TIMES DA SÉRIE A ESTÃO SE MOBILIZANDO?
Flamengo e Botafogo já removeram marcas de apostas de seus materiais, enquanto o Grêmio aguarda desdobramentos após fechar um acordo com uma bet dois dias antes da proibição. O Santos suspendeu a exposição da Novibet, mas mantém o contrato. A MP exige a retirada de publicidades até 5 de outubro, com bloqueio das plataformas a partir do dia 6.
Duas ações estão em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF) tentam derrubar a medida. Em uma delas, o Flamengo se tornou parte interessada, uma vez que o clube, patrocinado pela Betano, teme perder entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões até 2027.
Um terceiro processo, que estava em andamento desde 2024, também passou a discutir a MP na Suprema Corte, originado por uma ação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) contra a regulamentação das apostas, editada em 2023.
Nesta ação, a CNC alega que a nova lei gera transtornos, aumentando o nível de endividamento das famílias por conta de comportamentos financeiros de alto risco. O Flamengo também é parte interessada nessa ação, que já contava com a participação do Fluminense.