Árbitro relata invasão e ameaças após Mirassol x Bahia
Súmula descreve clima hostil, expulsões e escolta policial após vitória do Bahia sobre o Mirassol
A súmula do árbitro Paulo César Zanovelli revelou novos detalhes sobre o clima de tensão após a vitória do Bahia por 2 a 1 diante do Mirassol, pela 11ª rodada do Brasileirão. O juiz, que precisou deixar o gramado escoltado por 13 policiais militares, relatou invasão de campo, xingamentos e ameaças por parte de integrantes do clube paulista.
De acordo com o documento, diversos membros da comissão técnica do Mirassol invadiram o gramado após o apito final e se dirigiram à equipe de arbitragem.
Dois integrantes foram expulsos. Um deles, o fisioterapeuta Allan Ferreira Munhos da Silva, que sequer estava relacionado para a partida, proferiu ofensas como "safado, ladrão e sem vergonha", além de acusar a arbitragem de roubo, conforme registrado na súmula.
Outro membro, não identificado, também recebeu cartão vermelho após insultar os árbitros, utilizando termos como "ladrão" e "vagabundo". O árbitro destacou sentir-se extremamente ofendido pelas agressões verbais.
A tensão persistiu após o término do jogo. Ainda em campo, o diretor de futebol do Mirassol, José Paulo Bezerra Maciel Junior, foi citado na súmula por reclamar de forma exaltada e ameaçar diretamente: "agressão vocês vão ver quando passarem no túnel".
Diante do cenário, a equipe de arbitragem permaneceu cerca de 35 minutos no gramado, aguardando condições de segurança para deixar o local. Segundo o relato, havia pessoas no túnel fazendo gestos provocativos e incitando o confronto.
O árbitro ainda registrou que o telão do estádio exibiu repetidamente o lance contestado pelo Mirassol, o que, segundo ele, incitou ainda mais a torcida. Durante esse período, foram ouvidos gritos como "uh, vai morrer" direcionados à equipe de arbitragem.
Por recomendação da Polícia Militar, os árbitros deixaram o estádio sem retornar ao vestiário para banho ou elaboração do relatório completo, sendo escoltados diretamente até o hotel por questões de segurança.
Na súmula, Zanovelli também negou ter dito aos jogadores que "fossem chorar no vestiário", como afirmou o zagueiro João Victor após a partida, classificando a declaração como inverídica.
O caso será analisado pelas autoridades desportivas e pode resultar em punições ao Mirassol, com base nos relatos oficiais da arbitragem.