BRASILEIRÃO SÉRIE A

Árbitro relata invasão e ameaças após Mirassol x Bahia

Súmula descreve clima hostil, expulsões e escolta policial após vitória do Bahia sobre o Mirassol

Publicado em 12/04/2026 às 10:10
Paulo César Zanovelli Reprodução / Instagram

A súmula do árbitro Paulo César Zanovelli revelou novos detalhes sobre o clima de tensão após a vitória do Bahia por 2 a 1 diante do Mirassol, pela 11ª rodada do Brasileirão. O juiz, que precisou deixar o gramado escoltado por 13 policiais militares, relatou invasão de campo, xingamentos e ameaças por parte de integrantes do clube paulista.

De acordo com o documento, diversos membros da comissão técnica do Mirassol invadiram o gramado após o apito final e se dirigiram à equipe de arbitragem.

Dois integrantes foram expulsos. Um deles, o fisioterapeuta Allan Ferreira Munhos da Silva, que sequer estava relacionado para a partida, proferiu ofensas como "safado, ladrão e sem vergonha", além de acusar a arbitragem de roubo, conforme registrado na súmula.

Outro membro, não identificado, também recebeu cartão vermelho após insultar os árbitros, utilizando termos como "ladrão" e "vagabundo". O árbitro destacou sentir-se extremamente ofendido pelas agressões verbais.

A tensão persistiu após o término do jogo. Ainda em campo, o diretor de futebol do Mirassol, José Paulo Bezerra Maciel Junior, foi citado na súmula por reclamar de forma exaltada e ameaçar diretamente: "agressão vocês vão ver quando passarem no túnel".

Diante do cenário, a equipe de arbitragem permaneceu cerca de 35 minutos no gramado, aguardando condições de segurança para deixar o local. Segundo o relato, havia pessoas no túnel fazendo gestos provocativos e incitando o confronto.

O árbitro ainda registrou que o telão do estádio exibiu repetidamente o lance contestado pelo Mirassol, o que, segundo ele, incitou ainda mais a torcida. Durante esse período, foram ouvidos gritos como "uh, vai morrer" direcionados à equipe de arbitragem.

Por recomendação da Polícia Militar, os árbitros deixaram o estádio sem retornar ao vestiário para banho ou elaboração do relatório completo, sendo escoltados diretamente até o hotel por questões de segurança.

Na súmula, Zanovelli também negou ter dito aos jogadores que "fossem chorar no vestiário", como afirmou o zagueiro João Victor após a partida, classificando a declaração como inverídica.

O caso será analisado pelas autoridades desportivas e pode resultar em punições ao Mirassol, com base nos relatos oficiais da arbitragem.