NEGÓCIOS DO ESPORTE

São Paulo aprova renovação com New Balance até 2032 e projeta faturamento anual de R$ 60 milhões

Novo acordo com a fornecedora esportiva prevê luvas, royalties e ações de marketing; votação no Conselho foi marcada por debates e tensões políticas.

Publicado em 07/04/2026 às 19:25
Pedro Guedes / São Paulo FC

O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a renovação do contrato com a New Balance como fornecedora esportiva do clube até 2032. Dos 253 conselheiros aptos, 227 participaram da votação, que terminou com 135 votos favoráveis (59,91%) e 91 contrários (40,09%).

De acordo com apuração do Estadão, o novo contrato pode render até R$ 400 milhões ao longo do período, o que equivale a cerca de R$ 60 milhões por temporada. O acordo prevê ainda o pagamento de R$ 15 milhões em luvas, 28% de royalties, aproximadamente R$ 10 milhões destinados a marketing e ao enxoval de material esportivo.

A renovação foi tema de debates acalorados na política interna do clube. Parte dos conselheiros demonstrava resistência ao novo acordo. Um grupo de oposição à gestão do presidente Harry Massis Jr. tentou adiar a reunião, alegando falta de debate mais amplo sobre os termos do contrato.

Os opositores também questionaram a rejeição da proposta da Penalty e levantaram preocupações sobre possíveis benefícios a ex-diretores da gestão anterior, comandada por Julio Casares.

Durante a reunião, Massis destacou que, em dois anos de parceria com a New Balance, o faturamento do clube cresceu 113% em relação aos cinco anos anteriores com a Adidas. O presidente também ressaltou a diversidade de produtos oferecidos pela fornecedora norte-americana, incluindo linhas de uniformes de jogo, além de versões femininas e infantis.

Sobre o prazo de seis anos do novo contrato, considerado longo por alguns conselheiros, Massis citou exemplos de outros clubes: Corinthians (10 anos com a Nike), Flamengo (cinco anos com a Adidas) e Palmeiras (nove anos com a Puma).

Segundo o presidente, a proposta da Penalty não apresentava valores significativamente superiores aos da New Balance e não garantia o desenvolvimento de novas linhas de produtos.

Além da renovação com a New Balance, a reunião também aprovou dois empréstimos e a renovação da cessão das marcas "São Paulo FC", "SAO" e a administração das lojas oficiais do clube para empresas subsidiárias da Volt Sports, empresa brasileira do setor esportivo.

Outro tema aprovado foi o patrocínio da Unicesumar, que estampará sua marca nos calções de jogo e treino. O acordo prevê o pagamento de R$ 7,75 milhões até dezembro de 2028.

As discussões ocorreram em meio ao ano eleitoral no clube, ampliando a tensão nos bastidores. O empresário Vinicius Pinotti, possível candidato da oposição, está sendo investigado pelo Conselho de Ética por suposta negociação e vazamento de áudios sobre venda irregular de camarotes no MorumBis. Nesta semana, a Comissão de Ética votará a possível expulsão de Mara Casares e Douglas Schwartzman, envolvidos em um escândalo recente.

Paralelamente, cresce o descontentamento entre antigos aliados de Casares, principalmente em relação à concentração de poder no departamento de futebol sob o comando do executivo Rui Costa, que atualmente não conta com a presença de conselheiros na estrutura.