Diniz se realiza no Corinthians e torce para Memphis ficar: 'Quero construir história com ele'
Treinador nascido na zona leste de São Paulo assume o clube de coração e destaca importância de Memphis Depay no elenco
Fernando Diniz vive um momento especial ao assumir o comando técnico do Corinthians. Natural de Minas Gerais, mas criado na zona leste de São Paulo, região marcada pela forte presença da torcida alvinegra, o treinador revelou, durante sua apresentação nesta terça-feira, sentir-se realizado ao chegar ao clube que sempre considerou um destino natural em sua carreira.
"Você sabe o tanto de corintiano que tem aqui na zona leste. Se fizer uma enquete da minha personalidade, da minha história, todo mundo do mundo do futebol sempre achou que iria acontecer. Eu também acho. Combino com isso aqui, minha maneira inquieta", afirmou Diniz, que assume o posto após a saída de Dorival Júnior, demitido após nove jogos sem vitória.
"Nasci em Minas e vim com nove meses para a zona leste de São Paulo, sempre na periferia. Depois que casei mudei para o Tatuapé, onde está o Corinthians. Os 17 anos de treinador foram para chegar a um clube deste tamanho. Estive perto de vir para o Corinthians quatro ou cinco vezes. Que bom que foi nesse momento, quando estou mais preparado", completou.
No retorno ao clube onde atuou como jogador nos anos 1990, Diniz acredita ter à disposição um elenco de qualidade para buscar a recuperação da equipe, campeã da Copa do Brasil e da Supercopa Rei recentemente. Entre os destaques, está o atacante holandês Memphis Depay, principal astro do grupo e com futuro incerto — seu contrato vai até junho de 2026, mas a permanência ainda não é garantida.
"O Memphis no Brasil é um presente para o futebol brasileiro. É um jogador que, desde que chegou ao Corinthians, esteve presente nos momentos decisivos. Quando a gente vai jogar contra, você sabe que é um cara que pode decidir o jogo a qualquer momento. Ele gosta de estar no Corinthians, estar no Brasil e ser decisivo. É muito difícil ter um jogador desse quilate aqui no Brasil. Espero que ele fique e eu possa construir uma história com ele", declarou o treinador.
Apesar de ser frequentemente associado a um temperamento explosivo, Diniz não acredita que sua personalidade será um obstáculo para implementar sua filosofia de jogo no clube. Conhecido por recuperar e potencializar atletas, ele reconhece seus próprios excessos, mas considera exageradas as críticas ao seu lado mais passional.
"Faça uma enquete com os jogadores: acham que eu sou explosivo ou se eu ajudo na carreira deles. Não que eu esteja sempre certo, há exageros e estou aprendendo. Mas há um fundamento que é muito positivo na vida dos jogadores", defende-se. "Eu era muito expulso, mas procurei melhorar. Essa questão da exposição, eu tenho que me policiar e melhorar. Não tenho nenhum problema de errar. Faz parte da minha personalidade, mas na maioria das vezes ela muito mais ajuda do que atrapalha."
Diniz chega ao Corinthians em meio a grande pressão. Nos últimos dias, torcedores realizaram protestos no CT Joaquim Grava, cobrando jogadores de forma veemente. Para o novo técnico, lidar com esse ambiente faz parte da grandeza do clube.
"É super normal isso em um time com o tamanho da torcida do Corinthians, a força da torcida organizada, que muitas vezes o time ganhou jogos por conta deles. O jogador cada vez mais tem de aprender a jogar no Corinthians. Isso é trabalhar no Corinthians, saber lidar com isso. A gente de alguma forma tem que levar isso para dentro de campo para trazer vitória e acalmar todo mundo. Temos de fazer nosso melhor", concluiu.