CRISE URBANA

Vítimas da Braskem cobram ação de Rodrigo Cunha e exigem realocação imediata

Movimento Unificado protocola pedido de audiência com o novo prefeito; relatório da CPI no Senado serve como base para pressionar por indenizações e novas áreas de moradia

Por Redação Publicado em 09/04/2026 às 10:06
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O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) subiu o tom na cobrança ao Poder Executivo municipal. Nesta terça-feira (8), a organização protocolou um pedido formal de audiência com o prefeito Rodrigo Cunha, buscando destravar a situação de milhares de famílias que ainda vivem sob a sombra do maior desastre socioambiental urbano em curso no mundo.

A pauta é urgente e específica: a realocação definitiva e o pagamento de indenizações justas para os moradores das comunidades de Flexais (Baixo e Cima), Quebradas, Marquês de Abrantes, Vila Saem e Bom Parto. Segundo o movimento, essas regiões sofrem hoje com o chamado "ilhamento socioeconômico", onde, embora o chão não tenha cedido, a vida social e o comércio local colapsaram após o esvaziamento dos bairros vizinhos.

O peso do relatório da CPI

A pressão sobre o novo prefeito não é por acaso. O MUVB destaca que Rodrigo Cunha possui um histórico direto com o tema, tendo sido peça ativa na CPI da Braskem durante seu mandato como senador.

O relatório final da comissão, concluído em maio de 2024, traz recomendações explícitas que corroboram a luta das vítimas:

Ampliação do mapa: A Defesa Civil de Maceió deve reavaliar as áreas de risco.

Inclusão social: Reconhecimento de que áreas sem subsidência direta, mas sem acesso a serviços públicos e mobilidade, também devem ser evacuadas.

"A reunião é fundamental para garantir segurança jurídica e social a quem ainda aguarda uma definição clara sobre o futuro", afirma Cássio de Araújo Silva, coordenador geral do MUVB.

Conflito com o Plano Diretor

Além da questão humanitária, o movimento levanta uma barreira legal contra possíveis projetos de revitalização precoce das áreas afetadas. De acordo com o MUVB, qualquer plano de "nova cara" para os bairros fantasmas esbarra no Plano Diretor de Maceió, que prioriza a resolução do destino das famílias residentes antes de qualquer intervenção urbanística.

Até o momento, o movimento aguarda uma resposta oficial do gabinete do prefeito para o agendamento da audiência, que foi solicitada em caráter de prioridade máxima.