Do Nordeste para a China: Sandora vence prêmio nacional e inicia piloto asiático com IA contra assédio no trabalho
Startup de Alagoas investida pelo Instituto Atlântico, fica em 1º lugar no Nordeste no Prêmio Mulheres Inovadoras 2026, da Finep, e é a única brasileira selecionada pelo grupo Fosun para projeto-piloto na China.
A Sandora, startup investida pelo Instituto Atlântico por meio do Praia (Programa de Apoio à Inovação Aberta), está expandindo sua atuação para países cada vez mais distantes. Agora, foi a vez do mercado da China conhecer a atuação da empresa, que tem por foco a prevenção de assédio e a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho por meio de uma plataforma de inteligência artificial. A healthtech, fundada em Maceió pela empreendedora Meline Lopes, acaba de consolidar uma dupla conquista: foi selecionada pelo grupo multinacional Fosun para realizar um projeto-piloto na China e, poucos dias depois, conquistou o 1º lugar da Região Nordeste, na categoria Tração, do Prêmio Mulheres Inovadoras 2026, da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), na categoria Tração ou Escala.
A vitória no prêmio nacional destina à Sandora R$120 mil para investir no desenvolvimento do negócio e reforça o protagonismo feminino no ecossistema de inovação brasileiro. O programa seleciona startups lideradas por mulheres nas cinco regiões do país, e a vitória da alagoana representa não apenas a empresa, mas também a força do ecossistema de inovação de Alagoas, segundo Meline. “Receber esse reconhecimento da Finep, ficando em primeiro lugar no Nordeste, é uma conquista que representa não apenas a empresa, mas também a força do ecossistema de inovação do nosso estado e do Nordeste brasileiro”, afirmou Meline Lopes.
Na China
A internacionalização acelerada da Sandora ganhou novo capítulo com a participação no Protechting 8.0, programa de inovação promovido pela Fosun e pela Fosun Foundation, que atraiu mais de 600 inscrições de mais de 50 países. A startup foi uma das seis selecionadas no mundo e a única representante brasileira, integrando uma jornada de 12 dias por Hong Kong, Foshan, Macau, Zhuhai e Shanghai.
No palco do S-Tron Shanghai 2026, um dos maiores eventos de inovação da Ásia, Meline apresentou em inglês a tecnologia que mede, monitora e prevê riscos psicossociais antes que evoluam para crises de saúde mental, burnout ou casos de assédio.
A plataforma da Sandora combina a metodologia COPSOQ, validada internacionalmente, com inteligência artificial proprietária — o Sandora Score — para transformar relatos, pesquisas e múltiplas fontes de dados organizacionais em indicadores acionáveis, dashboards em tempo real, planos de ação e alertas preditivos de risco. Com isso, empresas ganham capacidade de antecipar problemas, adequar-se a normas como a NR-01 e a NR-05, reduzir passivos trabalhistas e proteger a segurança psicológica das equipes. Hoje, a solução já monitora mais de 19 mil trabalhadores no Brasil, em Portugal e no Canadá, atendendo organizações de diferentes portes e consultorias de saúde e segurança do trabalho.
Do reconhecimento nacional à expansão asiática, a Sandora exemplifica como uma startup de “tecnologia de base profunda”, nascida em Maceió e impulsionada pelo Instituto Atlântico, pode escalar globalmente ao resolver uma dor humana e de mercado cada vez mais urgente: a saúde mental no trabalho. “Voltei da China com uma visão ainda maior sobre o que podemos construir. E agora voltar para casa com Alagoas em primeiro lugar no Nordeste no Mulheres Inovadoras é emocionante”, disse Meline, resumindo a trajetória de uma empresa que leva o nome do estado para o mundo e traz de volta novas oportunidades, parcerias e tecnologia.