Pesquisa do HU fortalece estratégias de prevenção e segurança assistencial
Estudo multicêntrico sobre comportamento do fungo Aspergillus é fruto de parceria entre nove hospitais da Rede HU Brasil
O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU) da Universidade Federal de Alagoas Ufal) apresenta mais um desfecho da integração entre ciência e prática clínica. Na último dia 25 de março, o Centro de Pesquisa Clínica (CPC) recebeu pesquisadores da Ufal para a apresentação de resultados preliminares de um estudo multicêntrico com impacto direto na assistência hospitalar.
O trabalho investiga o comportamento do fungo Aspergillus em áreas assistenciais e a adoção de estratégias contra o micro-organismo. O objetivo é reduzir os riscos de infecção hospitalar e melhorar os desfechos clínicos, especialmente entre pacientes mais vulneráveis. A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de edital voltado para pesquisas sobre resistência antimicrobiana.
No HU, o estudo está sendo conduzido pela bióloga e professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal), Thais Fraga, pelos professores da Faculdade de Medicina (Famed/Ufal), pelo médico Iramirton Figuerêdo, pela enfermeira Rossana Teotônio, e pelo doutorando Leonardo Silva. A pesquisa contou ainda com a colaboração da infectologista Fernanda Foreque e alunos de mestrado e iniciação científica.
“O estudo demonstrou a presença de fungos anemófilos, especificamente Aspergillus, em diferentes setores hospitalares, evidenciando a necessidade de monitoramento constante e medidas preventivas para reduzir o risco de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, especialmente em indivíduos imunocomprometidos”, descreveu a bióloga.
Pesquisa multicêntrica
O estudo está sendo desenvolvido em ambulatórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva de nove hospitais universitários vinculados à Rede HU Brasil em diferentes regiões do país, integrando assistência, ensino e pesquisa no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa é coordenada pelo pesquisador James Venturini, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), e envolve uma equipe multidisciplinar com cerca de 50 pesquisadores, além de profissionais da área da saúde e estudantes.
No HU/Ufal, o estudo está na fase de avaliação da resistência dos fungos que foram isolados de amostras de ar e no início da coleta de pacientes com suspeita de aspergilose. Nos demais hospitais da Rede, estão sendo realizadas as coletas de amostras ambientais.
Pesquisa e assistência caminham juntas
Para o gerente de Ensino e Pesquisa do HU, Amauri Barros, a devolutiva dos dados representa uma peça-chave na qualificação da assistência. "A apresentação desses dados preliminares materializa a premissa de que a pesquisa deve servir como subsídio fundamental para a tomada de decisão baseada em evidências, avaliou.
A chefe da Unidade de Pesquisa do Hospital Universitário, Simone Barros, destacou o papel dos hospitais universitários como ambientes estratégicos para produção e aplicação do conhecimento. “Ao participar de uma rede nacional de pesquisa, nosso hospital não apenas contribui para o avanço científico, mas também fortalece sua capacidade de oferecer uma assistência mais segura e qualificada”, afirmou.
O resultado preliminar da pesquisa foi apresentado no HU durante reunião com a presença do gerente de Ensino e Pesquisa, Amauri Barros e de lideranças estratégicas do Setor de Gestão de Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde (SGPITS), da Unidade de Gestão da Pesquisa (UPESQ), Unidade do E-Saúde e dos setores de Vigilância em Saúde e Gestão da Qualidade.
Sobre a doença
A aspergilose é uma infecção fúngica oportunista causada pelo fungo Aspergillus, que afeta principalmente indivíduos com imunidade reduzida ou doenças pulmonares preexistentes. Transmitida pela inalação de esporos no ambiente, pode causar formas alérgicas, crônicas (como aspergiloma) ou a forma invasiva, que é grave e fatal se não tratada.
Os sintomas mais comuns são: febre, tosse, dor no peito, dificuldade respiratória, comum em pacientes imunocomprometidos. O diagnóstico é feito por exames de imagem (tomografia), exame de sangue para anticorpos/antígenos e exames microbiológicos (cultura de escarro). Em casos de resistência antifúngica, a taxa de mortalidade pode alcançar níveis alarmantes, chegando até 88%.