Secult divulga diagnóstico inédito sobre livro e leitura em Alagoas
O Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), publicou, nesta terça-feira (7), o diagnóstico sobre o livro e a leitura no estado, etapa fundamental para a consolidação do Plano Estadual do Livro e da Leitura de Alagoas (PELL).
O documento foi construído a partir das contribuições coletadas em consulta pública realizada entre fevereiro e abril de 2025, com a participação de agentes culturais, instituições e representantes da sociedade civil, e aprovado em audiência pública realizada em 5 de fevereiro de 2026.
O levantamento apresenta um retrato detalhado da realidade do setor, reunindo dados quantitativos e qualitativos que revelam tanto as fragilidades quanto as potencialidades do campo da leitura em Alagoas.
A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, destacou o caráter coletivo da construção e o impacto do diagnóstico para o futuro das políticas culturais no estado.
“Esse diagnóstico nasce da escuta. Ele reúne vozes de quem vive o livro e a leitura no dia a dia, nos municípios, nas escolas, nas bibliotecas e nos projetos culturais. É um documento que nos ajuda a enxergar com mais clareza onde precisamos avançar e, principalmente, como fazer isso de forma integrada. Com total apoio do governador Paulo Dantas, estamos construindo um plano que olha para todo o estado e valoriza quem já faz a leitura acontecer nos territórios”, disse a gestora.
A coordenadora da equipe técnica e do Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de Alagoas, Mira Dantas, ressaltou o papel estratégico do diagnóstico como base para o planejamento.
“O diagnóstico organiza informações que antes estavam dispersas e nos permite compreender melhor a realidade das bibliotecas e das ações de leitura em Alagoas. Ele evidencia desafios importantes, como a necessidade de ampliar o acesso e melhorar as condições estruturais, mas também mostra a força das iniciativas locais. Esse material orienta decisões e contribui para a construção de políticas mais eficazes e conectadas com o território”, destacou a bibliotecária.
Principais pontos
Entre os principais pontos identificados está a cobertura ainda insuficiente de bibliotecas públicas no território. Dos 102 municípios alagoanos, apenas 49 possuem bibliotecas públicas municipais com cadastro atualizado, evidenciando uma distribuição desigual desses equipamentos culturais.
O diagnóstico também aponta que as bibliotecas municipais representam 40% dos espaços de leitura existentes, reafirmando seu papel central no acesso da população ao livro. Ao mesmo tempo, chama atenção para a diversidade de iniciativas, incluindo espaços alternativos de leitura, que correspondem a 25% das ocorrências, além das bibliotecas escolares (21,7%) e comunitárias (7,5%).
Outro dado relevante revela fragilidades na cadeia do livro: 81,25% dos respondentes afirmaram não conhecer ou não souberam identificar distribuidoras de livros no estado, o que aponta para uma baixa visibilidade e articulação desse segmento.
Já no campo institucional, o diagnóstico indica que 69,5% dos municípios não possuem legislação específica voltada ao livro e à leitura, o que impacta diretamente a continuidade e o fortalecimento das políticas públicas.
Apesar dos desafios, o documento revela experiências potentes em diferentes territórios, como ações de mediação de leitura, bibliotecas itinerantes e iniciativas comunitárias que mantêm viva a relação com o livro, mesmo diante de limitações estruturais.
Outro ponto relevante é a desigualdade na distribuição de mediadores de leitura, concentrados majoritariamente em Maceió, enquanto municípios do interior enfrentam escassez de profissionais. O diagnóstico reforça a necessidade de investimentos em formação continuada, valorização profissional e políticas de interiorização que fortaleçam redes de atuação cultural em todo o território.
No campo das práticas, predominam ações presenciais, marcadas pela oralidade e pela interação coletiva, reforçando a leitura como uma experiência social e afetiva. Ao mesmo tempo, cresce a adoção de formatos digitais e híbridos, indicando a necessidade de ampliar políticas de inclusão digital e inovação nas estratégias de mediação.
A análise também evidencia desafios estruturais no estímulo à leitura, como a ausência de incentivo familiar, lacunas de letramento, baixa valorização institucional e precariedade dos espaços públicos. A publicação aponta que o acesso ao livro deve ser tratado de forma integrada, articulando cultura, educação, assistência social e comunicação.
No eixo da valorização da leitura, os dados revelam fragilidades na comunicação institucional. Cerca de metade dos participantes desconhece campanhas voltadas ao tema, e a maioria dos municípios não possui legislação específica para o setor, o que impacta diretamente a continuidade das ações.
Já no campo da economia do livro, o diagnóstico identifica gargalos na cadeia produtiva, especialmente na distribuição. A ausência de distribuidoras na maior parte dos municípios dificulta a circulação de obras e limita o acesso da população, afetando autores, editoras e livrarias locais.
O arquivo completo pode ser lido aqui.