CINEMA

A Queda 2 explora luto e coragem em alturas extremas

Continuação do filme de Scott Mann insere temática do luto na aventura de sobrevivência.

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/10/2026 às 07:30
A Queda 2 explora luto e coragem em alturas extremas Reprodução / Instagram

Existe uma ideia simples por trás de A Queda: colocar duas pessoas no alto de uma estrutura gigantesca e tirar delas qualquer possibilidade razoável de voltar ao chão. O filme de Scott Mann transformava essa premissa quase banal em um exercício de ansiedade, porque entendia que, naquele caso, menos era mais. A torre era o cenário, o obstáculo e o terceiro personagem. Bastava olhar para baixo para sentir o estômago embrulhar. A Queda 2: No Limite, que estreou nos cinemas, tenta repetir a operação, mas acrescenta a ela algo que não estava no centro do primeiro filme: o luto.

Desta vez, a protagonista é outra: Jax Hunter (Harriet Slater), irmã mais nova de Shiloh Hunter - a personagem de Virginia Gardner que protagonizou o primeiro longa. Jax ainda está devastada pela morte da irmã quando se aproxima de Luce (Arsema Thomas), uma das amigas mais próximas de Shiloh e alguém que compartilhava com ela a paixão por aventuras. Juntas, as duas decidem atravessar as perigosas tábuas do Monte Kwan, na Tailândia. Um terremoto, porém, provoca um deslizamento de rochas e as deixa presas a centenas de metros de altura, obrigando-as a encontrar uma saída enquanto enfrentam não apenas a montanha, mas também aquilo que carregam consigo.

É uma mudança importante em relação ao original. Se o primeiro A Queda fazia da sobrevivência uma experiência essencialmente física, a continuação tenta transformar a altura em uma extensão do processo de Jax para lidar com a perda. A montanha passa a representar um chamado à aventura, mas também um enfrentamento pessoal. A palavra que atravessa o filme é coragem, e Jax precisa descobrir o que ela significa depois da morte da irmã.

Ângulos

Os diretores Peter e Michael Spierig sabem explorar esse espaço vertical: há momentos em que a câmera encontra ângulos capazes de provocar genuíno desconforto. Quando a escalada começa, aliás, A Queda 2 encontra seu melhor momento. A montagem transforma movimentos simples em situações de enorme tensão, enquanto a câmera insiste na instabilidade. Sentimos o esforço físico, o desequilíbrio. Há também um cuidado interessante na construção dos flashbacks.

Mas há um limite. Quanto mais A Queda 2 tenta encontrar uma nova maneira de surpreender, menos assustadora fica a ideia de altura. Isso se torna mais evidente quando entra em cena a trama das drogas. É nesse momento que a continuação começa a perder parte da força construída na montanha. O conflito deixa de ser exclusivamente Jax e Luce contra a natureza e passa a dividir espaço com uma trama criminal que desloca o centro de interesse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.