CINEMA

Belas Artes À La Carte: "RAN", obra máxima de Akira Kurosawa, retorna aos cinemas em 21 cidades brasileiras

Título também está disponível para os assinantes da plataforma de streaming: para ser apreciado na telona e na telinha

Por Assessoria Publicado em 29/09/2026 às 16:00
Belas Artes À La Carte: "RAN", obra máxima de Akira Kurosawa, retorna aos cinemas em 21 cidades brasileiras

O Belas Artes Grupo, por meio da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, trará de volta às telonas quatro obras-primas que reinventaram a linguagem cinematográfica e seguem amadas por gerações, mantendo intacta sua relevância artística, emocional e cultural ao longo dos anos. “RAN” (1985), considerado ápice estético e temático de Akira Kurosawa, capitaneia a lista – que inclui ainda “Acossado” (1960), de Jean-Luc Godard, “Vidas sem rumo” (1983), de Francis Ford Coppola, e “O ano passado em Marienbad” (1961), de Alain Resnais.

“RAN” chega à tela do Cine Belas Artes, icônico cinema de rua em São Paulo, já no dia 1º de outubro. Outras 17 cidades brasileiras também recebem a estreia nesta data: São Luiz, Salvador, Manaus, Goiânia, Caxias do Sul, Belém, Balneário Camboriú, Aracaju, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Maceió, João Pessoa, Fortaleza, Florianópolis e Ribeirão Preto.

No dia 8 de outubro, o filme entra em circuito no Cinesystem Belas Artes Botafogo, no Rio de Janeiro, complexo que desde junho de 2025 é coadministrado pelo Belas Artes Grupo e pela rede Cinesystem. Nesta data, também chega aos cinemas de Brasília, Poços de Caldas e Londrina. Além das salas de cinema, os títulos também passam a integrar o cardápio da plataforma de streaming, a exemplo de “RAN”, disponível para assinantes do À La Carte desde o final de agosto.

O trabalho mais ambicioso de Kurosawa ganhou exibição especial no “Pizza em cartaz”, evento bimensal do Cine Belas Artes. Os ingressos esgotaram em duas horas, surpreendendo a equipe do cinema, que também passou a receber uma enxurrada de mensagens nas redes sociais solicitando novas sessões. O sucesso instantâneo da programação funcionou como termômetro do desejo entre os cinéfilos paulistanos de assistir ao clássico na tela grande.

“Grandes filmes foram feitos para serem vistos no cinema. É ótimo poder ter acesso a joias no streaming, mas é diante da telona que a melhor experiência se realiza. Estamos já há algum tempo conversando com os detentores dos direitos dessas obras e muito nos alegra agora poder oferecê-las ao público, para que sejam revistas ou vistas pela primeiríssima vez”, comenta André Sturm, presidente do Belas Artes Grupo e curador do Cine Belas Artes. “‘Acossado’ segue com charme e frescor impressionantes; ‘Ran’ é um dos mais belos épicos já feitos; ‘Marienbad’, poesia filmada em scope, filme pensado para a apreciação em telas panorâmicas. ‘Vidas sem rumo’ nunca foi exibido nos cinemas nesta versão estendida, que conta com 26 minutos de cenas extras. Todos em cópias restauradas e remasterizadas em 4K. Esse é um momento muito, muito especial para nós”, celebra.

Marcos na história do cinema – os quatros títulos são considerados clássicos essenciais que mudaram os ventos da produção cinematográfica, cada um a seu tempo e modo. “RAN”, que inaugura o circuito em 1º de outubro, alçou Kurosawa ao panteão dos mestres: o diretor japonês desenhava todos os storyboards detalhadamente, o que faz com que cada plano se assemelhe a uma pintura viva, num uso magistral das cores. Lentes teleobjetivas capturam a ação de longe, como um observador externo impotente diante do caos da guerra.

Já “Acossado” subverteu preceitos sagrados do cinema tradicional hollywoodiano ao apostar em uma montagem notadamente vanguardista. Godard utilizou cortes bruscos no meio das cenas, criando saltos temporais visuais sem alterar os diálogos. Ousado, o diretor também quebra a quarta parede: seus personagens olham e falam diretamente com o público. O uso de luz ambiente, câmera na mão e locações reais nas ruas de Paris, em uma estética livre e fluida jamais vista, é outra marca dessa obra que se tornou manifesto incontestável da Nouvelle Vague francesa, revolucionando para sempre a linguagem audiovisual.

Em “O ano passado em Marienbad”, vemos a completa reinvenção das noções de tempo e espaço: o longa rompeu com a estrutura linear tradicional ao misturar presente, passado, lembranças reais e delírios. Resnais coloca o espectador em um complexo labirinto, incapaz de distinguir o que é fato ou ilusão. Trata-se de uma narrativa estruturada como sonho enigmático, que rendeu ao diretor o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1961 e influenciou diretores consagrados das gerações seguintes.

Encerrando a seleção, “Vidas sem rumo” assinala uma transição de eras, sobretudo em sua proposta temática. O filme mudou a maneira como o cinema até então retratava a juventude, abandonando o tom mais ingênuo de décadas passadas para abraçar uma carga dramática mais explícita e realista. A produção também constitui uma verdadeira “fábrica de astros”: lançou uma geração inteira de jovens atores que viriam a definir os anos 1980, reunindo nomes como Tom Cruise, Matt Dillon, Patrick Swayze, Rob Lowe, Emilio Estevez e Diane Lane.

Depois de “RAN”, que retorna às telonas em outubro, “Acossado”, “Vidas sem rumo” e “O ano passado em Marienbad” têm estreias confirmadas para janeiro, fevereiro e março de 2027, respectivamente. As datas serão divulgadas em breve.