Marina Iris lidera três projetos de fôlego no Rio de Janeiro
Vencedora do Prêmio Alcione circula pelo Sesc com show-manifesto, lidera roda de samba no Centro e leva peça infantil a Ramos.
A longevidade e a força da cena do samba carioca sustentam-se não apenas pela manutenção de seus clássicos de terreiro, mas pela capacidade de seus novos expoentes em desdobrar o ritmo em plataformas de transformação social, literatura e memória. Consolidada como uma das principais referências de sua geração, a cantora e compositora Marina Iris — vencedora do Prêmio Alcione na categoria de melhor intérprete — iniciou uma maratona artística que cruza o estado do Rio de Janeiro através de três projetos simultâneos, conectando o público adulto e a primeira infância.
A primeira frente de circulação apoia-se no relançamento do álbum-manifesto Voz Bandeira, projeto gravado originalmente em 2019 em homenagem à memória de Marielle Franco e que ganhou prensagem especial em vinil. O show derivado da obra chega neste sábado (30 de maio), às 20h, ao Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, partindo em seguida para o Sesc Copacabana no dia 2 de junho, às 19h.
O palco como manifesto de resistência
O repertório do espetáculo, sob a direção musical de Alaan Monteiro, promove uma sonoridade urbana e contemporânea que costura as faixas autorais a releituras de hinos da MPB e do samba de protesto, tais como “Zé do Caroço” (Leci Brandão), “Rodo Cotidiano” (O Rappa) e “Bloco na Rua” (Sérgio Sampaio). No palco, as apresentações ganham o suporte de uma rede de vozes femininas da cultura popular, incluindo nomes como Ana Costa, Luiza Dionízio, Marcelle Motta, Laura Conceição e Luiza Loroza.
“A defesa das pautas relevantes para a construção de uma sociedade igualitária vem das canções, mas também está ancorada na literatura de Carolina Maria de Jesus, Ana Maria Gonçalves e Elisa Lucinda. O espetáculo atua como um manifesto estético de resistência”, define Marina Iris.
Infância antirracista e as rodas do Centro
A atuação da sambista estende-se ao universo pedagógico com o projeto É Pretinha, livro-disco infantil assinado em parceria com Ana Costa e Manu da Cuíca. A obra, que já passou pelos principais circuitos literários nacionais (como a Flip e a Bienal), foi transformada em uma contação de história teatralizada que integra o circuito Sesc Pulsar. Protagonizada pela atriz Camilla Monteiro, a peça faz apresentação gratuita neste domingo (31 de maio), às 16h, no Sesc Ramos, narrando a jornada de autoaceitação da menina Flor de Maria sob as mesas de uma tradicional roda de samba de subúrbio.
Para os amantes da boemia clássica, a compositora uniu forças com Marcelle Motta para comandar a segunda edição do projeto Samba que dá. O ponto de encontro escolhido pela dupla é a charmosa Casa Savana, localizada na Rua Camerino, no Centro do Rio — região histórica da Pequena África.
Agendada para o dia 3 de junho (quarta-feira, véspera do feriado nacional de Corpus Christi), a roda de terreiro apresentará faixas inéditas do EP romântico das artistas, programado para estrear na gravadora Biscoito Fino, além de clássicos do partido-alto e do samba de quadra. Ao costurar a salvaguarda de compositores históricos como Wilson Moreira a propostas de letramento infantil e ocupação urbana, Marina Iris demonstra como o samba mantém-se como o principal ativo de identidade, faturamento e coesão comunitária da capital fluminense.