Blerta Basholli lança Dua, seu segundo longa, em Cannes
Filme inspirado em experiências pessoais da diretora retrata a adolescência durante a guerra do Kosovo e estreia na Semana dos Críticos.
Dua, segundo longa-metragem da cineasta Blerta Basholli, teve sua estreia oficial na Semana dos Críticos do Festival de Cannes. Ambientado nos anos 1990, durante a guerra do Kosovo, o filme acompanha uma adolescente de 13 anos que, em meio à violência cotidiana, precisa aprender a se proteger física e emocionalmente, enquanto enfrenta a possibilidade de deixar o país que ama.
Em entrevista à Variety, Basholli revelou que a trama de Dua foi inspirada em suas próprias vivências durante o conflito no Kosovo. "A maior parte das cenas são baseadas no que vivi e no que aconteceu comigo. Testemunhando protestos, assistindo ao noticiário, discutindo essas questões em casa, deixando o país. É baseado na minha vida", afirmou a diretora.
Para Basholli, contar uma história sobre um conflito em um país pequeno como o Kosovo traz desafios, já que grande parte do público internacional desconhece a realidade dos cidadãos locais, sabendo apenas da existência da guerra. "Não são duas nações, dois idiomas, ninguém consegue diferenciar os dois lados do conflito e muitas pessoas não entendem o que aconteceu. (...) Por isso, tentamos focar na Dua (Pinea Matoshi) e contar essa história através dela."
Dua chega a Cannes três anos após o lançamento de Colméia, primeiro longa de Basholli, que fez história em Sundance ao conquistar simultaneamente os prêmios do Grande Júri, do público e de melhor direção – as três principais honrarias do festival.
"Espero que Dua lembre o mundo de que adolescentes crescendo em zonas de conflito não são diferentes do resto de nós", declarou Basholli. "Eles têm sonhos, talentos e conhecimento. Ouvem as mesmas músicas, querem se apaixonar, ir a shows, rir com os amigos e imaginar um futuro para si. Espero que o filme encoraje as pessoas a ver que eles não são vítimas de guerras distantes, mas humanos exatamente como nós."
"Ninguém merece viver uma guerra – ninguém", concluiu a cineasta.
Dua está atualmente disponível para distribuição internacional no mercado de Cannes. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.