EDUCAÇÃO

Greve na USP: reitoria encerra negociações após proposta final aos estudantes

Universidade encerra diálogo após três rodadas de negociação; estudantes mantêm greve e reivindicam aumento no auxílio estudantil.

Publicado em 04/05/2026 às 17:09
USP

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta segunda-feira, 4, o encerramento das negociações com os estudantes em greve desde 15 de abril. Segundo a reitoria, após três reuniões, houve avanços, mas as conversas foram concluídas com a apresentação de uma proposta final.

Até o momento, os estudantes não se manifestaram oficialmente sobre a decisão da USP. Nesta segunda, eles realizam manifestação no centro da capital paulista durante reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), buscando ampliar a paralisação e conquistar apoio de alunos da Unesp e Unicamp.

"Hoje é o grande dia de unificarmos a luta das universidades estaduais por mais orçamento, permanência e em defesa de uma educação pública de qualidade", afirma o Diretório Central dos Estudantes (DCE) em convocação nas redes sociais.

De acordo com o DCE, estudantes de 104 cursos da USP permanecem em greve. O principal impasse é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da universidade. Atualmente, o benefício varia entre cerca de R$ 330 (com moradia) e R$ 885 mensais, além da gratuidade nos restaurantes universitários.

A proposta da USP é reajustar o auxílio conforme o índice IPC-FIPE, elevando o valor mensal para R$ 912 (integral) e R$ 340 (parcial com moradia). Já os estudantes defendem que o benefício seja equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, e reivindicam a ampliação do programa, que hoje atende 15.869 alunos.

Segundo a reitoria, em abril, o programa beneficiou 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação. O orçamento previsto para 2026 com auxílios, bolsas, moradia, restaurantes, esportes e assistência à saúde é de R$ 461 milhões.

"É evidente que tivemos vários avanços pela quantidade de cursos em greve e pelo tamanho da mobilização, mas isso é muito pouco pelo tamanho da greve", avalia Marcos Lustosa, representante do DCE.

Atividades de pós-graduação, extensão universitária, defesas de trabalhos, consultas à biblioteca e eventos previamente agendados não serão afetados pela paralisação.

Críticas aos restaurantes universitários

As condições dos restaurantes universitários também são alvo de críticas dos estudantes, que relatam problemas de qualidade, incluindo denúncias recentes de alimentos estragados e presença de larvas na Faculdade de Direito.

A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) declarou que inspeção da Vigilância Sanitária não encontrou irregularidades e que uma equipe especializada realiza controle de qualidade diário das refeições. Segundo o órgão, desde o início de 2026, cinco visitas de autoridades sanitárias foram realizadas nos restaurantes da USP.

A greve foi motivada inicialmente pela criação de um bônus para docentes, a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace). Após pressão, os trabalhadores conquistaram isonomia e encerraram a paralisação.