CULTURA

“Atriz que ri do que dá vontade de chorar”: Ana Carolina Sauwen estreia como vilã no cinema e amplia presença no audiovisual

Em Cansei de Ser Nerd, ela contracena com Fernando Caruso e provoca o riso através do desconcerto. Fora do cinema, a atriz amplia discussões sobre identidade feminina, maternidade e liberdade de escolha.

Por Assessoria Publicado em 04/05/2026 às 18:10
Ana Carolina Sauwen Divulgação

Com a estreia do filme Cansei de Ser Nerd nos cinemas, a atriz, diretora e criadora Ana Carolina Sauwen dá um novo passo em sua trajetória ao interpretar a vilã Amanda, uma personagem que desloca expectativas e aposta no desconforto como linguagem.

Conhecida por explorar com humor as contradições do cotidiano feminino, Ana agora investiga um outro território: aquele em que o riso não nasce do reconhecimento imediato, mas do estranhamento. “Me interessa esse lugar onde o riso não vem do conforto, mas de algo que desorganiza um pouco”, afirma.

No longa, em que contracena com Fernando Caruso, sua personagem é ao mesmo tempo magnética e deslocada, provocando mais tensão do que identificação direta. “Ela fala como se estivesse sempre seduzindo alguém, mas de um jeito estranho, quase fora de lugar. É um tipo de presença que me interessa cada vez mais como atriz”, explica.

Ana relembra um bastidor inusitado: ao final de uma gravação, foi para casa ainda caracterizada — de peruca rosa e coberta por sangue cenográfico. O porteiro de seu prédio, ao vê-la, se assustou e se ofereceu para chamar atendimento médico. A leveza e o senso de humor marcaram também o clima das filmagens.

“O set tinha um clima de troca, e isso faz toda a diferença para o resultado final. O Caruso é um comediante que eu já admiro há muitos anos. Nesse projeto, ele virou, além de tudo, um amigo muito querido. É bonito demais ver a maneira como ele se apropria do texto e entrega comédia da melhor qualidade a cada pequeno gesto. É uma pessoa muito generosa, que trabalha para que tudo funcione da melhor maneira para todos.”

Com mais de 20 anos de carreira, Ana Carolina constrói um percurso que transita entre teatro, audiovisual e projetos autorais. Diretora e dramaturga, desenvolve trabalhos em que humor, crítica e experiência pessoal se atravessam, criando uma linguagem própria.

Nas redes sociais, onde reúne mais de 60 mil seguidoras — em sua maioria mulheres —, consolidou uma comunicação direta e autoral sobre temas como maternidade, identidade e relações de trabalho. A frase que a define, “a atriz que ri de tudo que dá vontade de chorar”, sintetiza esse olhar que transforma tensão em matéria criativa.

Esse universo também se desdobra no solo de comédia Da Mama ao Caos, em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Café Pequeno, de 6 a 27 de maio. No espetáculo, a maternidade surge sem idealização, atravessada por questões como sobrecarga, culpa e busca por uma perfeição inalcançável— não como resposta, mas como exposição de experiências frequentemente silenciadas.

“A maternidade me ensinou a cuidar de mim, por mais contraditório que isso possa parecer. Entendi que meu filho precisa de uma mãe inteira, e não de alguém que esteja só a serviço dele. Então, passei a olhar para mim e os meus desejos. Hoje, valorizo muito mais as minhas relações e, especialmente, os meus momentos de prazer, que são raros. A mãe é uma pessoa para além da maternidade”, exemplifica.

A mesma perspectiva aparece na palestra Muito além do parabéns, em que amplia a discussão para o ambiente de trabalho, abordando os mecanismos — muitas vezes invisíveis — que impactam a trajetória das mulheres. Com humor e precisão, conecta vivências individuais a estruturas mais amplas.

“Sinto que, durante muito tempo, duvidei da importância do que eu estava dizendo e enfrentei a síndrome da impostora. Quando fui entendendo esses mecanismos, eu percebi a importância da minha voz: o quanto o que eu digo  é um alento e um conforto para as mulheres, que se sentem representadas”.

Mais do que dividir sua atuação em frentes distintas, Ana constrói um percurso coerente entre palco, câmera e fala pública. Em comum, está o interesse pelas camadas — e pelo que emerge quando elas começam a aparecer.

“Hoje, me sinto mais interessada em explorar do que em definir. Talvez porque a gente seja mais interessante justamente quando não está completamente resolvida.”