Violoncelista da Sinfônica de MG lança livro sobre racismo
Vencedor do Prêmio Resistência, Carlos Márcio une música e poesia em 'Racismo, Constante como o Tempo' para denunciar apagamento negro.
O tempo não cura feridas que a sociedade insiste em manter abertas. É sob esta premissa que Carlos Márcio, violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, faz sua estreia no mercado editorial com o livro “Racismo, Constante como o Tempo”. Laureada com o Prêmio Resistência 2025, a obra cruza poesia, crônica e ensaio para desmontar o mito da democracia racial e expor as engrenagens do racismo estrutural no Brasil contemporâneo.
Natural de Sabará (MG), Carlos Márcio utiliza sua posição privilegiada e, ao mesmo tempo, desafiadora — a de um artista negro em um ambiente historicamente embranquecido como a música erudita — para narrar o que as partituras silenciam. O lançamento oficial será marcado por um Concerto-Lançamento no dia 23 de maio, no Teatro Municipal de Sabará, unindo a performance ao vivo do violoncelo à leitura de seus versos potentes.
A voz de quem vive a música e a exclusão
"O violoncelo me emprestou um ouvido para o mundo; a escrita me deu uma língua", define o autor. Sua escrita não foge do confronto: o livro conecta bulas papais do século XV a microagressões sofridas em portarias de prédios de luxo hoje, provando que a estrutura racista é camaleônica e persistente.
Roteiro de Lançamentos e Acessibilidade Cultural
Belo Horizonte: 20 de maio (Auditório Vivaldi Moreira) e 27 de junho (Casa Canjerê).
Sabará: 23 de maio (Teatro Municipal).
Divinópolis: 11 de junho.
Diamantina: 19 de julho (Ateliê do Choro).
Ouro Branco: Novembro (Semana da Consciência Negra).
Mais do que um livro de memórias, "Racismo, Constante como o Tempo" é um convite ao incômodo e à ação. Na dedicatória, o autor deixa o recado: "A todos que um dia me fizeram sentir o racismo: vocês despertaram em mim a escrita. Agora, leiam. Se puderem".
Serviço:
Livro: Racismo, Constante como o Tempo
Autor: Carlos Márcio
Editora: Arte da Palavra
