Arthur Lira reage a debandada de Gilberto Gonçalves e Gabi Gonçalves e articula a primeira-dama Anne Kelly para a disputa estadual
Após passagem relâmpago de apenas 4 horas pelo PT, com filiações anuladas e posterior ida ao MDB, grupo de Arthur Lira prepara antídoto em Rio Largo com o lançamento da primeira-dama Anne Kelly
O cenário político de Rio Largo ganhou novos contornos após o intenso troca-troca partidário envolvendo o ex-prefeito Gilberto Gonçalves e sua filha, Gabi Gonçalves, deputada estadual. Os dois deixaram o PP, partido comandado em Alagoas por Arthur Lira, ensaiaram ingresso no PT, mas permaneceram por poucas horas na legenda. Assim que os nomes apareceram vinculados ao partido, a reação interna foi imediata.
Setores do PT em Alagoas se revoltaram com a filiação relâmpago da dupla, e o caso acabou subindo para a direção nacional da sigla, por onde teriam sido viabilizadas as adesões. Diante da repercussão negativa, as filiações foram anuladas. Sem espaço no partido, Gilberto e Gabi acabaram desembarcando no MDB, dando sequência ao reposicionamento político do grupo de Rio Largo.
A movimentação foi interpretada nos bastidores como uma ruptura de vez com o campo político liderado por Arthur Lira. E a resposta do comando progressista, ao que tudo indica, não deve demorar. Como forma de reagir à saída de Gilberto Gonçalves e de sua filha, o grupo de Arthur prepara um movimento de enfrentamento direto no reduto político da família.
A principal aposta seria o lançamento da primeira-dama de Rio Largo, Anne Kelly, mulher do atual prefeito da cidade Carlos Gonçalves e adversário político do grupo de Gilberto Gonçalves. O gesto é visto como um verdadeiro antídoto eleitoral à deputada Gabi Gonçalves, que se desligou do PP e tende a buscar a renovação de seu espaço político em outra trincheira partidária.
Além do peso eleitoral, a eventual candidatura de Anne Kelly teria também forte simbolismo político. Ela entraria na disputa respaldada pelo grupo que hoje controla o PP em Alagoas e pela estrutura do atual prefeito de Rio Largo, num embate que promete aprofundar ainda mais o racha entre os dois blocos familiares e políticos da cidade.
Nos bastidores, a leitura é clara: ao estimular o nome de Anne Kelly, Arthur Lira tenta não apenas responder à saída de Gabi Gonçalves, mas também preservar influência em Rio Largo, município estratégico no tabuleiro eleitoral alagoano. A disputa, que antes parecia restrita a uma reacomodação partidária, caminha agora para se transformar em mais um capítulo de uma guerra política aberta no município.
Se confirmada, a candidatura da primeira-dama poderá nacionalizar ainda mais o embate local, colocando frente a frente o grupo de Gilberto Gonçalves, agora abrigado no MDB, e a estrutura política ligada a Arthur Lira, que não parece disposta a deixar sem reação a deserção de antigos aliados.