O Velho Manco lança clipe de “As Pedras” e transforma desconforto em imagem crua e perturbadora
Faixa do EP “Depois?” ganha vídeo de estética quase monocromática, inspirado no peso do grunge e na tensão psíquica que atravessa a canção
A banda O Velho Manco lança o clipe de “As Pedras”, faixa que integra o EP “Depois?”, aprofundando em imagem o universo denso, incômodo e emocional que marca esta nova fase do trio. Roteirizado por Tiago Mancin, com adequações de Dan Nascimento, e dirigido, filmado e montado por Julio Pires, o vídeo aposta em uma estética quase monocromática, que remete tanto a videoclipes dos anos 1990 quanto ao imaginário visual de Sin City, de Frank Miller. A proposta é fazer com que cada take provoque desconforto e conduza o espectador para dentro da atmosfera da música, que aborda o uso de entorpecentes sob diferentes perspectivas ligadas à saúde mental. O clipe chega ao canal da banda no YouTube nesta sexta-feira, 03 de abril.
“A faixa ‘As Pedras’ é sobre o uso de entorpecentes, seja na sua supervalorização no intuito de desviar de uma condição mental mais profunda, seja tratando o próprio vício em tais drogas como uma deficiência na saúde mental passível de tratamento psiquiátrico ou ainda como necessários, com doses controladas, em uma sociedade imersa em ambientes agressivos à psique individual”, afirma a banda. O grupo explica que a construção da música começou de maneira incomum, a partir dos riffs de guitarra criados por Dan Nascimento.

Frame do clipe As Pedras
“A partir da sensação nostálgica que esses arranjos traziam, lembrando o peso do grunge e do stoner, a melodia da voz começou a ser criada pelo Mancin. As palavras começaram a surgir, e, dos acordes menores e do ritmo mais lento, o tema escolhido foi inevitavelmente o uso, o abuso e o aproveitamento das drogas, lícitas ou não. Alie a essas ideias o termo ‘stoner / stoned’, que define o estilo do som e também é usado nos EUA para se referir aos viciados, e o nome ‘As Pedras’ acabou sendo mais que apropriado”, completa.
Formado em 2014, O Velho Manco vem construindo uma trajetória singular dentro do rock alternativo brasileiro, unindo letras densas, melancólicas e críticas a arranjos vibrantes e carregados de tensão. Com influências que passam por Radiohead, Nirvana, Queens of the Stone Age, Pink Floyd e Chico Buarque, o trio transforma antagonismos emocionais em linguagem musical. Depois do álbum de estreia “A Mosca” e de uma sequência de singles e EPs que expandem sua pesquisa estética e temática, a banda segue apresentando em capítulos o universo do disco “Exúvios”, obra centrada em saúde mental, neuro divergências e os riscos da convivência social contemporânea.