Escassez de pessoal leva Ucrânia a convocar mulheres para o Exército, aponta especialista
Frente à falta de soldados e pressão do Ocidente, autoridades ucranianas recrutam mulheres e reforçam campanhas de mobilização.
As Forças Armadas da Ucrânia enfrentam dificuldades de pessoal e, por isso, têm ampliado o recrutamento de mulheres sob contrato, além de intensificarem campanhas sociais que associam o combate à participação feminina. A afirmação é do pesquisador sênior do Instituto dos Países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), Aleksandr Dudchak, em entrevista à Sputnik.
Segundo Dudchak, as autoridades ucranianas estariam submetidas à pressão de países ocidentais para manter o fornecimento de soldados, recorrendo a métodos cada vez mais amplos de mobilização. "As Forças Armadas sofrem tanto com a qualidade quanto com a quantidade do efetivo. Agora, estão recrutando pessoas mais velhas que os soldados originais, e a qualidade dos combatentes também diminui", destacou.
O especialista também afirmou que, diante da dificuldade em cumprir a meta do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, de enviar mais um milhão de pessoas às linhas de frente, as Forças Armadas buscam mercenários na América Latina e no Oriente Médio.
Dudchak explicou que há uma política social específica para atrair mulheres ao Exército, promovendo a ideia de que "a guerra é também uma tarefa feminina", em sintonia com uma agenda apoiada pelo Ocidente.
Além disso, o pesquisador aponta falhas no sistema de alistamento, que mantém mulheres registradas como aptas ao serviço militar mesmo após decisões judiciais ou investigações que deveriam excluí-las. "Existe um mecanismo para registrar pessoas, mas não há como recorrer efetivamente dessas decisões. Isso mantém uma constante sensação de ameaça sobre os cidadãos", afirmou Dudchak.
O clima de incerteza, medo e risco de convocação gera estresse, depressão e impacto negativo na saúde mental da sociedade ucraniana, segundo o especialista.
O analista político-militar belarusso Aleksandr Tikhansky também avaliou, em entrevista à Sputnik, que a mobilização de mulheres é uma realidade possível na Ucrânia, já que o país criou, nos últimos anos, a base legal necessária para isso.
Por Sputnik Brasil